Em tempos de pandemia do Covid-19, diante de tantas visitas e ações sociais realizadas, tantas escutas sendo feitas, várias realidades em que estão sendo encontradas, eu procuro, para distração… Eu gosto ler alguns livros, porém, estou sem tempo de ler livros, mas quis retomar uma leitura em alguns pontos das Diretrizes Gerais de Evangelização da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que nos é oferecida como instrumento de ação evangelizadora para os anos de 2019 até 2023.
Revendo alguns pontos aqui, creio que o Espírito Santo de Deus já inspirava a equipe que ali estava elaborando estas Diretrizes e, quando dali apontavam os eixos norteadores para melhor entender e nos levar a vivenciar bem estas diretrizes, e melhor ainda quando usam a imagem da casa para apontar estes pilares…
Este tempo de recolhimento social por conta do Covid – a “Casa” nunca tinha sido tão importante para se perceber a mesma enquanto igrejas domésticas, ou ser entendida como “Lar” para seus habitantes, porque ali começou a acentuar as questões pessoais, comunitárias e sociais. As nossas Igrejas são lugares de encontro, partilha. No momento em que se encontram fechadas, encerraram-se reuniões, grupos e todo tipo de ação nas nossas comunidades paroquiais, alertou-nos para outro caminho: perceber que nossa vocação de anunciar a Palavra precisava ser mais eficaz e que nossa ação missionária precisava promover as culturas da paz nas famílias e de superação da violência. Por que digo isto? Ainda dentro das casas, as muitas famílias começaram a perceber a necessidade de reunir para buscar alternativas para superar este momento, rezar juntos, jogar, ouvir músicas, brincadeiras. Também foi, neste momento, dentro das famílias, que muitos desafios vieram à tona. Temos encontrado nas famílias o aumento do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes, violência contra a mulher, ausência de alimentos, famílias com fome mesmo. E, neste contexto, como pensar a casa como lugar de partilha, de solidariedade e de fraternidade?
Um dos pilares da caridade se dá onde a casa é sustentada sobre o acolhimento fraterno e sobre o cuidado com as pessoas, especialmente os mais frágeis e excluídos, e invisíveis. Como este tempo despertou em muitas pessoas a solidariedade!!! Este tempo despertou em muitas pessoas este sentimento que é a solidariedade. A valorização do ser humano é inadmissível na sociedade capitalista. Ainda encontramos famílias com seus filhos sem ter o que comer a mais. É necessário pensar na comida urgente para socorrer a fome, porque esta não espera, como dizia o saudoso bocaiuvense sociólogo Herbert José de Sousa, Betinho (1935-1997), hemofílico que pegou Aids através de uma transfusão de sangue no sistema de saúde sucateado pelo capitalismo. O Estado Burguês nos deve a sua vida e as de seus irmãos, o cartunista Henfil e Chico Mário. “Quem tem fome tem pressa!”, dizia a campanha “Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida”. Devemos ter pressa também em buscar garantir políticas públicas socializantes, porque se fôssemos um país com políticas públicas efetivas, poderíamos ver o nosso povo tendo acesso mais rápido à alimentação, medicamentos e atendimento à saúde pública, de qualidade e para todos.
Também, nesta metáfora da Casa, podemos trazer aos que não têm casa, como a população em situação de rua. Aqui é importante, além do pilar da caridade, o pilar da missão: sair e ir para o gueto. Descobrir embaixo das marquises onde se encontram os despossuídos, fazer a experiência profunda de Deus nas periferias das praças e dos lugares mais escondidos onde estes irmãos fazem suas moradas. Quando os planos municipais de atendimento à população de rua não funcionam, a prática da higienização para tirá-los das praças, sem lugares para encaminhá-los, volta a predominar na sociedade capitalista racista. Esquecem que estes irmãos são filhos de Deus!!!
Neste sentido, a solidariedade e a fraternidade têm sido a palavra do momento para aqueles que acreditam que a vida deve ser bem melhor, para aqueles que acreditam que é possível viver sem ter vergonha de ser feliz. Que abrem as mãos, casas, instituições para ajudar estas pessoas!!! São gestos simples que constroem uma grandeza de transformação diante da indiferença de tantos políticos, mas aqui se mostra o Evangelho vivido no dia a dia. E o que mais bonito fica: todos querem ajudar, independente de grupo religioso. A palavra de ordem é defesa da vida. O gesto da escuta é muito forte aqui, a esperança, o Amor de Deus é muito forte neste momento, mas também não podemos ficar calados diante do trato de nossas autoridades que não têm seriedade com o momento.
Muita gente sem pão nas mesas, sem roupas. As Diretrizes dizem que precisamos construir pontes em lugar de muros, oferecer a misericórdia de Jesus e reacender a luz da esperança para vencer o desânimo e a indiferença. Isso só conseguiremos se formos capazes de dar testemunho da fraternidade e da solidariedade, levando pão para os que têm fome, levando o pão em todas as mesas ou em todas as mãos que não têm mesa. Que possamos levar dignidade e respeito ao mais pobre, que possamos lutar para a garantia de direito para os mais pobres. O nosso agir tem que ser por Jesus no irmão que é a imagem e semelhança Dele.
Que a Casa não se torne somente uma metáfora, mas que possamos, através do nosso testemunho, fortalecer as casas, lares e onde todos tenham condições de viver a fé, o direito, a dignidade e a justiça social para que a Casa seja realmente feliz.
É nossa vocação anunciar a Palavra como missionários para promover a paz, superar a violência, construir pontes em lugar de muros, oferecer a misericórdia de Jesus e reacender a luz da esperança para vencer o desânimo e as indiferenças. O mundo espera de nós o testemunho da fraternidade e da solidariedade pela evangélica opção preferencial pelos pobres, contribuindo na construção da sociedade sobre os valores do Evangelho. A Igreja se volta ao seu Senhor para compreender a realidade e discernir caminhos (Diretrizes Gerais). Ele se faz presente, caminha conosco.
Sônia Gomes de Oliveira
Presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB)
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