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‘Cinema brasileiro é muito maior do que o Oscar’, afirma crítica

Isabel Wittmann destaca prêmio de ator para Michael B. Jordan e Autumn Durald, primeira mulher a ganhar na fotografia

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Brasil não levou a estatueta do Oscar 2026, mas a noite de domingo (15/03) reservou momentos históricos e reflexões importantes sobre o cinema, a representatividade e os caminhos da indústria cinematográfica. Enquanto O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, saiu sem prêmiosValor Sentimental (Noruega) levou a categoria de Melhor Filme Internacional, Michael B. Jordan foi consagrado como Melhor Ator e Autumn Durald se tornou a primeira mulher a ganhar o Oscar de Melhor Fotografia.

A crítica de cinema e votante do Globo de Ouro, Isabel Wittmann confirma que O Agente Secreto tinha chances reais, mas enfrentava um concorrente poderoso. “Valor Sentimental era o favorito na categoria. Tinha a mesma distribuidora do filme brasileiro, contava com a atriz Elle Fanning no elenco — o que traz familiaridade ao público hollywoodiano — e aborda um drama familiar, mais acessível do que filmes politicamente carregados como o brasileiro ou Foi Apenas um Acidente”, explica no Conexão BdF da Rádio Brasil de Fato.

Ela explica que o Oscar tem um corpo votante de 10 mil profissionais da indústria, diferente de premiações como o Globo de Ouro, onde votam jornalistas e críticos. “A familiaridade com os nomes envolvidos, o networking, a simpatia — tudo isso pesa. Não estou dizendo que foi o caso, mas é um fator real.”

Sobre a possibilidade de uma “coordenação” para não dar o prêmio ao Brasil pelo segundo ano consecutivo, Wittmann é cautelosa. “Não acho que haja um voto coordenado nesse sentido. Ainda Estou Aqui, vencedor em 2025, tinha o drama familiar como centro, assim como Valor SentimentalO Agente Secreto é um filme mais denso, com muitas camadas e referências — mais difícil de ser digerido por um público amplo.”

O filme de Paul Thomas Anderson, Uma Batalha Após a Outra, que levou o prêmio de Melhor Filme, é frequentemente interpretado como uma obra política sobre os Estados Unidos contemporâneos. Wittmann oferece uma leitura mais matizada. “Ele usa o cenário político como pano de fundo para um drama sobre parentalidade. As questões políticas estão lá, mas são delineadas, não aprofundadas. Os temas — migração, tensões raciais — são como peões num tabuleiro. O filme é menos político do que parece.”

Ela ressalta, no entanto, que “criar filhos nesse mundo complexo” é uma tarefa política, e que o filme dialoga com o momento do país — o que certamente contribuiu para sua vitória.

Wittmann celebra a vitória de Michael B. Jordan como Melhor Ator, o sexto homem negro a conquistar o prêmio em 98 anos de Oscar. “É uma vitória importantíssima. Ele já vinha ascendendo, com papéis consistentes e um vilão que conquistou o público pela complexidade.”

No filme Pecadores, Jordan interpreta gêmeos, construindo uma dualidade que a crítica considera merecedora do prêmio. “E a parceria com Ryan Coogler tem rendido frutos. É um ator que merecia esse reconhecimento há tempos.”

Outro marco histórico da noite foi a vitória de Autumn Durald na categoria de Melhor Fotografia, a primeira mulher a conquistar o prêmio em 98 anos. Wittman destaca a emoção e a consciência política de seu discurso. “Ela agradeceu especificamente a Ellen Kuras e Rachel Morrison, fotógrafas que abriram caminho. E pediu que todas as mulheres presentes se levantassem. Foi um reconhecimento bonito de que seu trabalho só existe porque outras vieram antes.”

Durald é a quarta mulher indicada na história da categoria — e a primeira não-branca. “Metade das indicadas foram em filmes dirigidos por mulheres, o que mostra a importância da representatividade em todas as funções. E a primeira mulher não-branca indicada foi num filme de um diretor negro — Ryan Coogler. As questões se cruzam.”

Apesar da derrota, Wittmann faz um balanço extremamente positivo. “O Agente Secreto foi premiado em todas as grandes premiações da temporada, a começar por Cannes. Colecionou prêmios pelo mundo. O cinema brasileiro ganhou projeção internacional, na esteira de Ainda Estou Aqui.”

Ela defende que o momento deve ser usado para fortalecer a produção nacional. “O cinema brasileiro é muito maior do que o Oscar. Temos uma produção consistente, variada e maravilhosa. Precisamos continuar produzindo, conquistando público e prêmios — pensando tanto no mercado interno quanto no externo.”

Com informações do Brasil de Fato

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