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ONU alerta para risco de “limpeza étnica” e aponta avanço de assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia

Relatório afirma que cenário indica "política israelense coordenada de transferência forçada em massa" nos territórios ocupados

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A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou nesta terça-feira (17) para o risco de “limpeza étnica” na Cisjordânia ocupada, após o deslocamento forçado de mais de 36 mil palestinos em um ano. As informações foram divulgadas em documento do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, com dados entre novembro de 2024 e outubro de 2025, segundo o jornal Folha de São Paulo. O relatório aponta que o cenário, somado ao êxodo registrado durante o genocídio na Faixa de Gaza, “parece indicar uma política israelense coordenada de transferência forçada em massa” nos territórios ocupados.

O documento afirma que o volume de deslocamentos “constitui uma expulsão em massa de magnitude sem precedentes”. De acordo com a ONU, medidas adotadas pelo governo de extrema-direita de Benjamin Netanyahu ampliaram o controle israelense sobre a Cisjordânia. A organização fez um apelo para que Israel interrompa imediatamente a expansão dos assentamentos na região. O relatório também aponta crescimento expressivo desses assentamentos.

Em Jerusalém Oriental ocupada, foram aprovadas ou iniciadas 36.973 unidades habitacionais, além de outras 27.200 no restante do território. Em 2025, a expansão atingiu o nível mais alto desde 2017, início da coleta sistemática desses dados pela ONU. Atualmente, mais de 500 mil israelenses vivem na Cisjordânia, sem considerar Jerusalém Oriental, em meio a cerca de 3 milhões de palestinos. Esses assentamentos são considerados ilegais pelo direito internacional.

Violência e deslocamentos

No período analisado, foram registrados 1.732 episódios de violência cometidos por colonos, com vítimas ou danos materiais, acima dos 1.400 casos contabilizados no intervalo anterior. O relatório afirma que “a violência dos colonos continuou de forma coordenada, estratégica e amplamente impune, com papel central das autoridades israelenses”. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, citou a intensificação de ataques, a destruição de bairros, a restrição à ajuda humanitária e as transferências forçadas como fatores que agravam a crise na Cisjordânia.

O documento também indica que a “transferência ilegal” de palestinos configura crime de guerra e pode, em determinadas circunstâncias, ser classificada como crime contra a humanidade. A ONU alerta ainda para o risco crescente de deslocamento de comunidades beduínas ao nordeste de Jerusalém Oriental. A Cisjordânia está sob ocupação militar de Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e é considerada pela comunidade internacional parte central de um futuro Estado palestino.

Com informações do Brasil247

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