O bolsonarismo é uma máquina sanguessuga. O presidente diz algo horrível, ficamos escandalizados e reverberamos. Ele fica com manchetes, trending topics e a fama de terror das esquerdas. Nós ficamos com a tristeza e o sentimento de impotência.
É preciso sair desse loop.
Muitas pessoas tem adoecido. A performance perversa do presidente tomou o debate público e afeta os corpos. Circulou bastante um artigo da Eliane Brum com relatos de psiquiatras sobre o agravamento da saúde da população. Quem não leu, vale muito: bit.ly/33oodG5
Acontece que a dinâmica que nos adoece é a que alimenta o ex-capitão. Como bem notou o Silvio Pedrosa (bit.ly/2YNHQsN), Bolsonaro é também um fenômeno de mobilização das esquerdas.
Não se passa um dia sem que o assunto das redes seja uma barbaridade dita pelo presidente.
A Áurea Carolina (http://bit.ly/2MS6KQF) em um artigo maravilhoso ponderou muito bem “que não temos mais tempo e energia a perder com tanta lamúria desprovida de ação.” Vale ler cada palavra desse texto, a começar pelo título: Sem tempo para Bolsonaro.
E se um belo dia ninguém mais desse bola para a verborragia publicitária do presidente? Imaginem a cara de tacho do sujeito, que vivo para isso.
Isso não quer dizer aceitar as barbaridades do governo. O nível de organização é que muda. Sair da dinâmica das redes sociais, que nos leva à impotência e a reclamar para nós mesmo, parece ser o desafio. O salto para alguma ação propositiva dá mais trabalho, mas traz resultado e saúde.
O que cada um de nós pode fazer para fazer deste mundo um lugar melhor? Ações comunitárias, redes de vizinhança, voluntariado, ativismo.. Criar coletivos para defender vítimas de violência, para fazer denúncias internacionais, para divulgar dados.
É preciso aproveitar as manifestações para conectar com pessoas reais e construir a mudança.
Roberto Andrés
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