Pesquisa realizada pela Quaest em parceria com a Associação Nacional dos Restaurantes (ANR) aponta que a maioria dos brasileiros é contrária à proposta do governo federal de instituir uma taxa mínima para pedidos em aplicativos de entrega. O levantamento mostra que 71% rejeitam a medida, que prevê cobrança mínima de R$ 10 por entrega, além de R$ 2,50 por quilômetro acima de 4 km.
De acordo com o estudo, o debate sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos já alcançou amplo conhecimento da população. Cerca de 87% dos entrevistados afirmaram estar informados sobre a discussão, enquanto 76% disseram já ter ouvido falar especificamente da proposta de criação de uma taxa mínima para as entregas.
A percepção majoritária entre os brasileiros é de que a medida teria impacto direto nos preços cobrados pelos serviços de delivery. Para 78% dos entrevistados, a implementação do valor mínimo resultaria em aumento no custo dos pedidos de comida feitos por aplicativos. Além disso, 71% afirmaram que não estariam dispostos a pagar mais caro pelas entregas, enquanto apenas 29% aceitariam arcar com valores mais elevados.
O levantamento também indica uma preocupação significativa com os efeitos sociais da proposta. Segundo os dados, 86% dos entrevistados acreditam que a mudança afetaria principalmente a população mais pobre, enquanto apenas 14% consideram que o impacto recairia sobre os mais ricos. Esse cenário reforça a percepção de que a medida poderia ampliar desigualdades no acesso ao serviço de delivery.
O presidente executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR), Fernando Blower, destacou a necessidade de equilíbrio no debate sobre a regulamentação do setor. Segundo ele, “a regulamentação dos entregadores é necessária e deve avançar com equilíbrio pensando em soluções que protejam os trabalhadores e a sustentabilidade do setor. A própria pesquisa mostra que a população não apoia a proposta colocada, especialmente diante do potencial impacto nos preços. Medidas como a fixação de valores mínimos podem afetar os consumidores, sobretudo os mais vulneráveis, e pressionar a operação de bares e restaurantes, em especial os de pequeno porte, que dependem do delivery”.
A pesquisa também revela forte influência da polarização política na avaliação da proposta. Entre eleitores que se identificam com a direita, a rejeição chega a 97%, enquanto entre os que se posicionam à esquerda há apoio majoritário de 84%. Já entre os eleitores independentes — grupo considerado estratégico em disputas eleitorais — 83% se declaram contrários à medida.
Para Felipe Nunes, diretor da Quaest, o resultado entre os independentes é especialmente relevante no cenário político. Ele afirma que “esses dados são especialmente relevantes em um contexto de eleições. Chama atenção que mesmo entre os independentes — um terço da amostra que não se identifica com nenhum dos polos — 83% são contrários à proposta. A rejeição transcende as divisões partidárias e sinaliza que o tema pode ter implicações eleitorais significativas”.
A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 16 de março, com entrevistas presenciais de 1.031 brasileiros com 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de três pontos percentuais.
*Com informações do Brasil 247
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