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Investimentos chineses entram em nova etapa e avançam no setor de serviços no Brasil

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Após dominar setores como infraestrutura e energia, capital chinês mira consumo e tecnologia com aportes em delivery, automação e meios de pagamento

A presença da China nos negócios brasileiros entrou em uma nova fase. Depois de consolidar investimentos em infraestrutura, energia e mais recentemente na indústria automotiva de veículos elétricos, empresas chinesas passaram a mirar o setor de serviços no Brasil, estimuladas pelo potencial de consumo da população. 

Da automação para e-commerce ao mercado de sorvetes, a estratégia chinesa se diversifica e aposta em preços competitivos, tecnologia e produção local. A multinacional Libiao, especializada em automação logística, chegou ao Brasil no mês passado com sistemas de robôs que organizam produtos e encomendas em centros de distribuição. “O Brasil é o maior mercado de e-commerce da América Latina, e isso demanda soluções de automação que reduzem prazos de entrega”, afirmou Thiago Holanda, gerente de Desenvolvimento de Negócios da empresa na região. Ele destacou ainda a escassez de mão de obra sazonal e o baixo nível de automação no país, segundo aponta reportagem do Globo.

Sorvetes, franquias e 25 mil empregos

Em maio de 2025, durante a viagem do presidente Lula à China, a gigante de fast-food Mixue anunciou investimento de R$ 3,2 bilhões no Brasil. Já maior que redes como McDonald’s, Starbucks e KFC, a empresa abriu sua primeira loja em São Paulo e pretende crescer via franquias. O plano inclui a instalação de fábrica e uso de ingredientes locais, com meta de gerar 25 mil empregos até 2030.

Criada por dois irmãos que vendiam raspadinhas nas ruas, a Mixue ficou conhecida por vender sorvetes, chás e bebidas com “bubbles” a preços em torno de US$ 1 — cerca de 40% mais barato que marcas premium. Para Roberto Kanter, professor da FGV, a vantagem competitiva da empresa está na verticalização da cadeia produtiva. O desafio, afirma, será adaptar sabores ao gosto brasileiro.

Delivery, serviços financeiros e digitalização

Na mesma viagem de Lula a Pequim, a empresa Meituan, dona do aplicativo de delivery Keeta, anunciou investimento de R$ 5,6 bilhões em cinco anos. A expectativa é montar uma rede de 100 mil entregadores parceiros até o fim de 2025, abrir central de atendimento no Nordeste e gerar até 4 mil empregos indiretos. “Acreditamos ser possível dobrar o número de usuários de delivery de comida em cinco anos, alcançando 120 milhões de pessoas”, disse Tony Qiu, CEO da Keeta.

No setor financeiro, a UnionPay, maior bandeira de cartões da China e rival de Visa e Mastercard, chegou ao Brasil em parceria com a fintech Left e já está presente em 24 mil caixas eletrônicos da rede Banco24Horas.

Tecnologia e produção nacional

A fabricante de smartphones Oppo, presente no Brasil desde 2022, anunciou que dobrará sua capacidade de produção no país a partir de 2026. A empresa pretende fortalecer sua cadeia de fornecedores locais e ampliar a oferta de celulares com inteligência artificial. “Queremos posicionar o Brasil entre os cinco maiores mercados da Oppo até 2029”, afirmou André Alves, gerente sênior de vendas.

Fluxo de capital chinês continua crescente

Segundo dados do Banco Central, o investimento direto chinês no Brasil saltou de US$ 105 milhões em 2019 para US$ 306 milhões em 2024. Apenas no primeiro semestre de 2025, os aportes já somam US$ 379 milhões. Levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China aponta que o Brasil lidera entre as economias emergentes na atração de capital produtivo chinês, com 39 novos projetos e US$ 4,18 bilhões investidos em 2024, quase o dobro do ano anterior.

Guerra comercial com os EUA e busca por novos mercados

Especialistas afirmam que a intensificação do interesse chinês está relacionada à guerra comercial promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que leva empresas da China a buscar novos destinos para seu excedente de produção. “Pequim busca incluir o Brasil na sua zona de influência com recursos financeiros”, disse Roberto Dumas, professor do Insper.

Túlio Cariello, do CEBC, destaca que a China segue firme nos investimentos em energia — especialmente renovável — e avança em setores como mineração de estanho, cobre e ferro-ligas. Para a advogada Vivian Fraga, os novos aportes têm foco crescente em tecnologia e consumo digital, acompanhados da redução da resistência aos produtos chineses no Brasil. “O brasileiro quer qualidade, mas também bom preço”, afirmou.

Com informações do Brasil 247

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