Departamento de Justiça dos EUA deve tornar públicos documentos sobre o financista sexual Jeffrey Epstein, acumulados por mais de uma década
O Departamento de Justiça (DOJ) dos Estados Unidos tem até esta sexta-feira (19/12) para divulgar a maior parte dos arquivos relacionados ao criminoso sexual Jeffrey Epstein, conforme exige a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, sancionada por Donald Trump em novembro.
A legislação, aprovada no Congresso, obriga a liberação de registros, e-mails, transcrições, comunicações e outros materiais de investigação não classificados, exceto em casos específicos que possam prejudicar investigações em andamento, comprometer a segurança nacional ou expor informações de vítimas.
Desde a sanção da lei, o governo Trump tem mantido silêncio sobre o andamento da divulgação. No início deste mês, parlamentares bipartidários solicitaram à procuradora-geral Pam Bondi um relatório de progresso, que não foi entregue. Dois senadores democratas ameaçaram bloquear nomeações civis caso o Departamento de Justiça descumpra a lei, alegando que o governo estaria se preparando para ignorar a legislação aprovada.Play Video
Segundo o deputado Ro Khanna, democrata da Califórnia e coautor da lei, os arquivos podem revelar a extensão das atividades criminosas de Epstein, as ligações com figuras poderosas — incluindo Trump, o ex-príncipe Andrew e outras personalidades — e como o bilionário conseguiu escapar da justiça por décadas.

Histórico do caso
Em 2019, foi preso novamente por crimes federais de tráfico sexual e morreu na prisão, em Nova York, em circunstâncias oficialmente classificadas como suicídio. Sua ex-namorada Ghislaine Maxwell foi condenada a 20 anos de prisão por conspiração para tráfico sexual de menores.
Ao longo de 2025, diversos documentos já foram liberados em etapas:
- Fevereiro: Bondi anuncia a liberação inicial de cerca de 200 páginas de registros, incluindo contatos e nomes de vítimas.
- Julho: O Wall Street Journal publica a suposta carta de Trump a Epstein e acusa o DOJ de não possuir uma lista de clientes do financista.
- Agosto e Setembro: Transcrições de entrevistas com Maxwell e mais de 33 mil páginas de documentos de investigações anteriores são tornadas públicas pelo Congresso.
- Novembro e Dezembro: Novos lotes de e-mails e fotos, incluindo imagens de passaportes, documentos de identidade e fotos de Epstein com figuras públicas como Bill Gates e Noam Chomsky, são divulgados pelo Comitê de Supervisão da Câmara.
Entre os documentos já tornados públicos estão mensagens que citam Trump de maneira crítica e referência a figuras políticas brasileiras, como Lula e Jair Bolsonaro, embora não haja evidência de envolvimento direto desses líderes com Epstein.
Expectativa e possíveis desdobramentos
- Liberar os arquivos com poucas edições;
- Publicar os documentos com cortes significativos, alegando proteção às vítimas;
- Alegar que uma investigação em andamento impede a divulgação completa;
- Gerar vazamentos internos ou atrasos, com impacto político.
- Caso os arquivos não sejam divulgados até esta sexta, Khanna alerta que os funcionários do DOJ estarão infringindo a lei e poderiam enfrentar processos judiciais, além de possível responsabilização perante o Congresso.
O advogado Jay Clayton, responsável pelo distrito que processou Epstein e Maxwell, afirmou que os registros do caso estariam prontos para divulgação, mas ressaltou respeito às decisões judiciais.
A aprovação da lei e a iminente divulgação dos arquivos colocam Trump e aliados sob pressão. Pesquisas indicam que 74% dos adultos norte-americanos desaprovam a condução do tema pelo presidente antes mesmo da nova leva de documentos.
A divulgação já provocou renúncias e questionamentos sobre nomes ligados ao caso, e evidencia fissuras no Partido Republicano, com membros cobrando transparência total enquanto outros tentam blindar o presidente.
Originalmente publicado em Metrópoles
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