O principal foco de atenção dos mercados continua sendo a escalada nas tensões entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e países da Europa
O dólar operava em alta, nesta terça-feira (20/1), em um dia de agenda de indicadores esvaziada tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
O principal foco de atenção dos mercados continua sendo a escalada nas tensões entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e países da Europa, em meio à declarada intenção do líder norte-americano de “comprar” a Groenlândia – região autônoma que pertence ao Reino da Dinamarca.
Os investidores também monitoram o início do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça). Trump deve fazer um pronunciamento no evento na quarta-feira (21/1).Play Video
Dólar
- Às 10h09, a moeda norte-americana avançava 0,5% e era negociada a R$ 5,39.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,397. A mínima é de R$ 5,373.
- Na véspera, o dólar fechou em leve queda de 0,16%, cotado a R$ 5,364.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 2,28% frente ao real em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em baixa no início do pregão.
- Às 10h10, o indicador recuava 0,52%, aos 163,9 mil pontos.
- No dia anterior, o Ibovespa fechou em alta de 0,03%, aos 164,8 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 2,35% no ano.
Aumenta a tensão entre Trump e a União Europeia
Os principais índices das bolsas de valores da Europa começaram a semana operando no vermelho, refletindo o estado de alerta dos investidores após novas ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, contra o bloco.
No último fim de semana, Trump anunciou o objetivo de impor tarifas progressivas crescentes contra oito países europeus a partir de fevereiro. A medida é uma nova forma de represália contra essas nações para que elas autorizem o líder norte-americano a comprar a Groenlândia, uma região autônoma que pertence ao Reino da Dinamarca.
Em sua rede social, a Truth Social, Trump afirmou que tarifas adicionais de 10% sobre importações passariam a vigorar em 1º de fevereiro sobre produtos provenientes da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Grã-Bretanha. Essas sobretaxas aumentariam para 25% em 1º de junho. Elas continuariam em vigor até que fosse alcançado um acordo para a “compra completa e total” da Groenlândia pelos EUA.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, anunciou, nesta terça, que a Europa está trabalhando em um pacote de medidas para apoiar a segurança do Ártico. “Total solidariedade com a Groenlândia e Dinamarca”, afirmou.
Von der Leyen não especificou as medidas do pacote, mas afirmou que o princípio fundamental é que “cabe aos povos soberanos decidir o seu próprio futuro.” A Groenlândia, por meio do premiê Jens-Frederik Nielsen, afirmou que a ilha não será governada pelos EUA, ressaltando que o território faz parte da Dinamarca.
Mais cedo, durante o Fórum Económico Mundial de Davos, Von der Leyen afirmou que “a segurança do Ártico só pode ser alcançada em conjunto; por isso, as tarifas adicionais propostas (por Donald Trump, que ameaçou taxar em até 25% países europeus) são um erro, especialmente entre aliados de longa data.”
“A União Europeia e os EUA concordaram em um acordo comercial no ano passado. Na política, como nos negócios, um acordo é um acordo, e quando amigos apertam as mãos, isso deve significar alguma coisa”, complementou Von der Leyen.
Trump ameaça França com taxa sobre vinhos
Em um novo capítulo da escalada nos embates entre EUA e Europa, Donald Trump ameaçou impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes da França. A ameaça foi considerada “inadmissível” pelo governo do presidente Emmanuel Macron.
A medida seria uma retaliação ao próprio Macron, que recusou o convite de Trump para integrar o chamado “Conselho da Paz” – iniciativa que pretende rivalizar com as Nações Unidas na resolução de conflitos globais.
A França é a principal potência agrícola da Europa e, juntamente com a Itália, um dos maiores países produtores de vinho do mundo. Os EUA, por sua vez, são o principal mercado de exportação da França, que responde por metade das exportações de vinho da UE.
O projeto de Trump prevê um órgão com funcionamento paralelo à ONU, no qual os convites para países aliados teriam validade de três anos. Documentos revelados pela imprensa revelam que a obtenção de um assento permanente no conselho exigiria uma contribuição de US$ 1 bilhão.
O governo brasileiro foi convidado a participar da iniciativa, mas ainda não se manifestou. A França, na condição de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, não pretende aderir ao novo grupo.
Ao ser questionado por jornalistas sobre a recusa francesa, Trump ironizou a liderança de Macron. “Ele disse isso? Bem, ninguém quer ele, porque ele estará em breve sem mandato”, afirmou o presidente dos EUA antes de embarcar para o Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Com informações do portal Metrópoles
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