Macron defende solução diplomática e alerta sobre risco real de um Irã com armas nucleares; Teerã rejeita diálogo enquanto ataques de Israel continuarem

Em meio à escalada de tensão no Oriente Médio, a França anunciou nesta sexta-feira (20), em Genebra, que os países europeus apresentarão uma “oferta de negociação completa, diplomática e técnica” ao Irã. A informação foi dada pelo presidente francês Emmanuel Macron, durante entrevista coletiva no Salão Aeronáutico de Paris. Segundo ele, o objetivo da proposta é conter o agravamento do conflito com Israel e retomar o controle sobre o programa nuclear iraniano.
De acordo com a reportagem da AFP, Macron defendeu que a prioridade seja o retorno a “negociações substantivas” com Teerã. “É essencial priorizar o retorno a negociações substantivas [com o Irã] que incluam questões nucleares, para chegar a zero enriquecimento [de urânio], balística, para limitar as capacidades iranianas, e o financiamento de todos os grupos terroristas que desestabilizam a região”, afirmou.Play Video
A proposta, segundo o presidente francês, será formalmente apresentada pelo ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, em conjunto com os chanceleres do Reino Unido e da Alemanha, além da chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas. O plano contempla quatro pontos principais: o restabelecimento da atuação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) com acesso irrestrito às instalações nucleares do Irã; a supervisão internacional do programa balístico iraniano; o controle do financiamento a grupos armados; e a libertação de estrangeiros presos por Teerã — incluindo dois cidadãos franceses.
Macron alertou para o risco iminente de um Irã nuclear. “Ninguém deve ignorar o risco de um Irã com armas nucleares”, declarou, classificando essa possibilidade como “uma ameaça real”. Por outro lado, criticou a ofensiva israelense: “Ninguém pode acreditar seriamente que os ataques atuais de Israel sejam capazes de eliminar essa ameaça. Algumas instalações nucleares iranianas são extremamente protegidas, e não se sabe onde está todo o urânio enriquecido do país.”
Apesar das pressões por uma saída diplomática, o Irã sinalizou resistência. Em entrevista à TV estatal, o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi rejeitou qualquer diálogo com os Estados Unidos enquanto os ataques israelenses persistirem. “Os americanos enviaram mensagens pedindo negociações seriais. Mas deixamos claro que, enquanto a agressão não terminar, não haverá espaço para a diplomacia e o diálogo”, disse o chanceler, classificando os EUA como “parceiros neste crime”.
A ofensiva israelense contra o Irã teve início em 13 de junho, sob o argumento de que Teerã estaria prestes a produzir uma arma nuclear. A resposta iraniana incluiu o lançamento de mísseis e drones, provocando uma semana de confrontos que resultou em ao menos 224 mortos no Irã e 25 em Israel. O Irã mantém o enriquecimento de urânio em 60% — abaixo dos 90% necessários para armamento nuclear — e insiste que o programa tem fins civis. Israel, embora nunca tenha confirmado oficialmente possuir ogivas nucleares, é apontado pelo Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo como detentor de cerca de 90 artefatos do tipo.
Com informações do Brasil 247
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