Sintect-SP diz que falta de concursos, perda de direitos e risco de demissões ampliam crise e adoecem trabalhadores
Os Correios continuam em crise mesmo após terem sido retirados da lista de privatizações pelo governo Lula (PT), segundo Ricardo Adriani Negopeixe, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo (Sintect-SP). Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ele atribuiu o cenário à “má gestão” e ao “sucateamento” iniciado no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Houve um desinvestimento, um desmonte dos Correios na área estratégica, no RH [Recursos Humanos], no plano de saúde, na questão logística da empresa”, listou Negopeixe, que também é diretor da Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect).
De acordo com o dirigente, a falta de concursos – o último ocorreu em 2011 – é um dos principais fatores de precarização. “Esses trabalhadores envelheceram, continua o mesmo quadro funcional. Não tem condições de trabalho para concluir a jornada”, aponta. Segundo ele, a retirada de 50 cláusulas do acordo coletivo durante o governo Bolsonaro também ampliou a pressão sobre a categoria.
Negopeixe critica ainda a ausência de investimentos básicos, como a manutenção dos veículos, e lembra que a estatal cumpre uma função social que empresas privadas não assumem, com acesso a todos os 5.570 municípios. “Os Correios não foram criados para dar lucro, mas para manter o papel social”, explica. Ele menciona como exemplos entregas de medicamentos, provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e ações emergenciais em enchentes e na pandemia.
A chegada do novo presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, que assumiu o cargo em setembro, também acendeu um novo alerta. “Vai ter demissão de 10 mil trabalhadores através de um PDV [Plano de Demissão Voluntária] ou PDI [Plano de Demissão Incentivada]”, disse, afirmando que a incerteza tem adoecido funcionários. “Isso traz traumas, doenças não só psíquicas, mas físicas”, relatou.
Para contornar essa situação e evitar o domínio das grandes plataformas privadas de e-commerce, o sindicalista pede um aporte emergencial do governo federal. “Investir em novas tecnologias para que o Correio concorra de igual para igual com o Mercado Livre, a Shopee, a Amazon”, defendeu. “Correio público e de qualidade, sim”, declarou, por fim.
*Conteúdo originalmente publicado Brasil de Fato
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