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Diplomacia da Ucrânia detalha andamento de negociações com a Rússia

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Nos últimos dias, negociadores relataram avanços nas conversas entre Ucrânia e Rússia, mas acordo ainda enfrenta impasses

As negociações para encerrar a guerra na Ucrânia avançaram nas últimas semanas, mas continuam longe de um desfecho. Após reuniões em Berlim, autoridades ucranianas e norte-americanas afirmaram ter registrado “progressos reais” em direção a um acordo, sobretudo na construção de garantias de segurança para Kiev. Ainda assim, divergências centrais seguem sem solução.


O que está acontecendo?

  • As atuais negociações de paz entre Ucrânia e Rússia têm sido mediadas pelos Estados Unidos, que apresentou um plano recentemente, e países da Europa.
  • Como em outras ocasiões, Kiev e Moscou não chegam a um consenso sobre pontos do acordo.
  • Entre eles, a possibilidade de a Ucrânia ceder territórios que perdeu para a Rússia nos mais de três anos de guerra.

O principal eixo das conversas envolve a oferta de garantias de segurança à Ucrânia em moldes semelhantes ao Artigo 5º da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), sem a adesão formal à aliança. O presidente Volodymyr Zelensky anunciou que abriu mão do objetivo de ingressar na aliança militar, em troca de compromissos juridicamente vinculantes dos EUA e de aliados europeus. O movimento é visto como uma concessão tática para destravar as negociações.

Apesar disso, Kiev mantém uma linha vermelha clara: não aceitará ceder territórios ocupados pela Rússia desde o início da invasão, em 2022.

Moscou, por sua vez, exige que a Ucrânia reconheça a perda de áreas de Donbass e reafirma que só aceitará um acordo que inclua neutralidade permanente e desmilitarização do país.

Vladimir Putin reforçou recentemente que não abrirá mão das exigências territoriais, mesmo diante da pressão internacional por um cessar-fogo.

Outro ponto de tensão é o processo político interno ucraniano. Putin questiona a legitimidade de Zelensky, cujo mandato expirou sob a vigência da Lei Marcial. Pressionado por Washington, o ucraniano sinalizou disposição para convocar eleições, caso haja garantias de segurança. Moscou chegou a condicionar uma eventual suspensão de ataques no dia da votação à participação de ucranianos que vivem na Rússia.

Em entrevista ao Metrópoles, a Embaixada da Ucrânia no Brasil relatou o andamento das negociações, e os principais pontos que têm travado o processo de paz no Leste Europeu. Confira.

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Qual é o atual estágio das negociações de paz com a Rússia?

Um processo de negociação muito ativo e dinâmico está em andamento, cujo principal objetivo é estabelecer uma paz justa e duradoura com garantias de segurança confiáveis ​​para a Ucrânia. Em 19 de dezembro, uma delegação ucraniana liderada pelo Secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, Sr. Rustem Umerov, chegou a Miami, EUA. Os parceiros europeus estão participando das negociações. A Ucrânia está muito grata aos Estados Unidos por organizarem o processo de negociação, que já está produzindo resultados. A Ucrânia também é grata a todos os países parceiros da Europa e do Oriente Médio, que estão ajudando no retorno das crianças ucranianas sequestradas, dos prisioneiros de guerra ucranianos e facilitando a repatriação dos corpos dos defensores ucranianos que tombaram em combate. Juntos, estamos aproximando o retorno da paz aos céus da Ucrânia.

Quais principais pontos têm obstruído o avanço do plano de paz de Donald Trump?

A questão mais difícil nas negociações é, sem dúvida, a questão dos territórios. A liderança russa continua a fazer declarações irresponsáveis ​​que indicam um desejo de prolongar a guerra em vez de alcançar a paz. A última declaração de Vladimir Putin comprova isso. Para nós, quaisquer ultimatos da Rússia relativos à rendição de parte do território da região de Donetsk, que o exército russo não conseguiu ocupar, são inaceitáveis. No final de outubro de 2025, 200,5 mil ucranianos viviam nesse território, incluindo 91 mil idosos e mais de 13 mil crianças. Antes da guerra, mais de 500 mil residentes viviam nessa parte do território da região de Donetsk, com grandes cidades como Kramatorsk, Sloviansk, Pokrovsk e Kostyantynivka. A declaração de Putin sobre a sua disponibilidade para continuar a lutar se o seu ultimato não for cumprido significa que essas pessoas poderão perder as suas casas, tornar-se refugiadas ou pessoas internamente deslocadas, ou morrer, uma vez que o exército russo destrói sistematicamente edifícios residenciais nas cidades que tenta conquistar. Isso significa novas cidades fantasmas em ruínas, completamente destruídas, novas ondas de refugiados. Conclamamos a diplomacia brasileira e a sociedade brasileira a apoiarem as demandas para que a Rússia concorde com um cessar-fogo mútuo agora. A Ucrânia e o mundo precisam de paz já.

Existem possibilidades de a Ucrânia ceder parte de seus territórios para a Rússia, como o presidente Vladmir Putin exige?

Tem sido reiteradamente enfatizado que a Ucrânia não reconhecerá a soberania russa sobre seus territórios, que agora estão temporariamente ocupados. O Artigo 2 da Constituição da Ucrânia afirma claramente que “O território da Ucrânia dentro das fronteiras existentes é íntegro e inviolável”. O Artigo 73 da Constituição declara claramente: “Questões sobre a alteração do território da Ucrânia serão resolvidas exclusivamente por referendo nacional”. A Ucrânia é um país democrático e, ao contrário da Rússia, vive de acordo com a Constituição e não depende da vontade de uma só pessoa.

Originalmente publicado em Correio Braziliense

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