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Mesmo com política de valorização do mínimo, salários continuam baixos, avalia especialista

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Pesquisa mostra que 5 a cada 10 brasileiros não conseguem chegar ao fim do mês com salário

Uma pesquisa realizada pela Salary Fits, da empresa de consultoria Serasa Experian, mostra que cinco a cada dez brasileiros não conseguem chegar ao fim do mês com o salário. Para a pesquisadora Marilane Teixeira, professora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), diversos fatores ajudam a explicar esse cenário multifatorial, como a baixa remuneração e as taxas de juros elevadas.

“A despeito da política de valorização do salário mínimo, a remuneração continua muito baixa. Se não houvesse essa política, o quadro seria muito pior. Estamos em um cenário em que os empregos gerados no setor formal pagam em torno de 1 a 1,5 salário mínimo, entre R$ 1,5 mil e R$ 2,2 mil. Isso não dá conta de garantir o sustento da maior parte das pessoas e das famílias”, avaliou em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Segundo Teixeira, a situação de pleno emprego e a retomada da atividade econômica não refletem de forma ideal por conta dos baixos salários, que não acompanham o encarecimento do custo de vida. Como alternativa, muitos brasileiros têm recorrido ao mercado informal para complementar a renda. “Está sendo muito comum as pessoas trabalharem no emprego formal e, no final do expediente, fazer um bico de motorista por aplicativo até as 22h, 23h. No outro dia, retomam antes de iniciar o expediente normal no seu trabalho diário.”

Há também um cenário em que, por insatisfação salarial, trabalhadores estão pedindo demissão, destaca a professora. “No ano passado, tivemos 7 milhões de pessoas que pediram dispensa dos seus empregos formais. Uma parte porque estava insatisfeita com os salários. Claro, existem motivações como o excesso de cobrança, de metas, pressão, mas o salário tinha um peso muito grande”, revela.

Juro

Outro aspecto, segundo Teixeira, é o comprometimento da renda com o pagamento de juros. “O cartão de crédito, o cheque especial, as taxas de juros são muito elevadas. Uma dívida de R$ 100, R$ 200, R$ 300, em poucos meses triplica, quadruplica. Não tem como dar conta disso com um salário relativamente baixo, como é a característica do nosso mercado de trabalho no Brasil hoje.”

A professora também critica a rigidez do mercado e das instituições financeiras, que resistem à regulação das taxas de juros. “Eles se recusam a ser regulados para determinar limites e alegam que isso acontece porque a inadimplência é muito alta. Isso não é verdade, porque a classe trabalhadora é muito comprometida com endividamento. Ela paga a dívida, é capaz de deixar de comer, de cumprir necessidades básicas, mas não deixa de pagar. E o que ela paga diariamente, na verdade, não é nem o principal: ela corre atrás de pagar os juros”, pontua.

*Com informações da Brasil de Fato

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