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Vorcaro diz à PF que tratou com Ibaneis sobre venda do Master ao BRB, e governador nega conversa

Depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro e reação de Ibaneis reacendem controvérsia sobre operação vetada pelo Banco Central e investigada no STF

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O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que conversou “algumas vezes” com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB) e relatou ainda que o governador já esteve em sua casa. A declaração foi divulgada nesta sexta-feira, 23, em reportagem do jornal Estado de S. Paulo.

Procurado, Ibaneis negou ter conversado com Vorcaro sobre o assunto e afirmou que esteve apenas uma vez na casa do banqueiro. O episódio adiciona uma nova camada de tensão política e institucional a uma operação que já vinha cercada por suspeitas, disputas de narrativa e preocupação com impactos financeiros: o caso é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de crimes financeiros relacionados ao negócio, que acabou vetado pelo Banco Central.

O que Vorcaro disse e o que Ibaneis respondeu

Segundo o relato atribuído a Vorcaro, o banqueiro declarou à Polícia Federal que manteve conversas com Ibaneis em mais de uma ocasião sobre a venda do Banco Master ao BRB. O registro de que o governador teria ido à casa do banqueiro também aparece no material do podcast, ampliando o foco sobre o nível de proximidade e o grau de interlocução política em torno de uma operação bancária de grande porte.

A resposta do governador, por sua vez, buscou limitar a extensão dessa relação. Ibaneis disse que não conversou com Vorcaro sobre a venda e que esteve apenas uma vez na residência do banqueiro. A divergência entre as versões, ainda que apresentada em poucas linhas, tende a se tornar um ponto central de escrutínio, sobretudo porque o caso já está sob investigação do STF.

STF, Banco Central e o peso das suspeitas na operação

A investigação no STF envolve suspeitas de crimes financeiros na operação. Ao mesmo tempo, destaca que o Banco Central vetou o negócio, elemento que, por si só, já muda o patamar de gravidade e repercussão: quando a autoridade monetária impede uma transação desse tipo, o debate costuma migrar rapidamente do terreno político para o jurídico e o regulatório.

O episódio também recoloca em evidência a discussão sobre governança, transparência e diligência em operações envolvendo bancos. Ainda que as apurações estejam em curso e os desdobramentos dependam de documentos, depoimentos e análises técnicas, o fato de a transação ter sido vetada pelo Banco Central e investigada pelo STF projeta um ambiente de alta sensibilidade institucional.

Risco de prejuízo bilionário e os créditos “problemáticos”

Outro ponto é o potencial impacto financeiro para o BRB. O, o banco pode ter prejuízo de até R$ 4 bilhões após a compra de créditos considerados problemáticos do Master. A cifra, elevada, torna o caso ainda mais relevante para o debate público, porque envolve risco financeiro expressivo associado a uma operação que acabou bloqueada pela autoridade reguladora.

A menção a “créditos problemáticos” traz para o centro do debate a qualidade dos ativos envolvidos e os critérios de avaliação aplicados. Em operações bancárias, a compra de carteiras de crédito exige análise de risco, precificação e estimativas sobre inadimplência e recuperação. 

Originalmente publicado em brasil247

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