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Setor naval brasileiro avança na transição para energia limpa e biocombustíveis

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Estudo do BNDES, ações da Petrobras e políticas públicas preparam frota e portos para combustíveis de baixo carbono e metas internacionais

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou, no mês passado, seleção pública para parceiro executor do estudo Oportunidades da Descarbonização e da Transição Energética para a Reestruturação da Indústria Naval, com orçamento de até R$ 8 milhões pelo Fundo de Estruturação de Projetos (BNDES FEP). O trabalho busca analisar a construção naval brasileira e propor uma estratégia de retomada, considerando a transição para combustíveis de emissão baixa ou nula de gases do efeito estufa (GEE).

“Esse estudo faz parte da iniciativa BNDES Azul, para impulsionar a retomada e fortalecimento da indústria naval brasileira, cumprindo um compromisso assumido pelo governo federal, com foco estratégico na descarbonização da frota e na geração de empregos”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “Esse estudo servirá de bússola para orientar uma estratégia de transição energética para o setor. Para isso, contamos com a parceria estratégica da Transpetro, escolhida em razão da sua expertise em logística multimodal de combustíveis”.

O estudo analisará experiências nacionais e internacionais, desafios críticos como desenvolvimento da cadeia de fornecedores, suprimento de aço competitivo, absorção de tecnologia e aumento da produtividade, além de oportunidades no contexto geopolítico e global da transição energética. Também será construída uma base de dados sobre a indústria naval no Brasil e no mundo, para propor políticas públicas com metas de curto e longo prazo e alocação de recursos estratégicos.

Petrobras lidera iniciativas concretas em combustíveis renováveis

No plano corporativo, a Petrobras tem avançado com testes e comercialização de bunkers (combustível marítimo) com conteúdo renovável. Segundo William Nozaki, gerente de Gestão Integrada de Transição Energética da empresa, foram realizados testes em 2023 e 2024 com misturas de até 24% de biodiesel (B24) em navios de cabotagem, em parceria com a Transpetro e armadores como a Maersk. “Os resultados mostraram reduções de até 19% nas emissões de CO₂ em ciclo de vida completo, sem alterações operacionais nos motores”, disse Nozaki.

A estatal também se tornou a primeira a vender o combustível VLS B24 no Brasil, em julho de 2024, e a operar no mercado de bunker de Cingapura com biodiesel certificado pela norma europeia de sustentabilidade. Conforme o Plano Estratégico 2050 da Petrobras, estão previstos investimentos de US$ 16,3 bilhões até 2029 em biocombustíveis, eólica, solar, hidrogênio e captura de carbono (CCUS), alinhando-se às metas da Organização Marítima Internacional (IMO) de reduzir em 70% as emissões até 2050.

Retomada da indústria naval e estímulos públicos

O setor naval brasileiro vem registrando crescimento robusto nos últimos anos, impulsionado por instrumentos públicos como o Fundo da Marinha Mercante (FMM) e programas federais de estímulo. Relatórios oficiais indicam que, em 2024, cerca de R$ 30,8 bilhões foram aprovados para projetos de construção e modernização de embarcações, além da expansão de estaleiros.

A transição energética também é contemplada por políticas como a Lei do Combustível do Futuro (14.993/2024), que inclui o transporte marítimo no escopo de combustíveis sustentáveis, incentivando o uso de diesel verde, biometano e misturas de biodiesel. Embora não estabeleça metas obrigatórias por tipo de embarcação, a lei cria um marco regulatório para a adaptação de navios e portos, com regulamentações complementares a serem definidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Sustentabilidade em portos e hidrovias

Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) implementa práticas ambientais, sociais e de governança, incluindo a criação da Diretoria de Sustentabilidade, elaboração do Plano Clima e dos Planos Setoriais de Mitigação e Adaptação. A pasta também planeja futuras concessões hidroviárias considerando riscos climáticos e incentivo ao uso de combustíveis sustentáveis.

Projetos em desenvolvimento incluem a utilização de hidrogênio verde em operações portuárias, aproveitando a matriz elétrica renovável do país, principalmente no Nordeste, e criando oportunidades para o Brasil se tornar um dos maiores produtores mundiais dessa energia limpa.

Pressão internacional e metas da IMO

O transporte marítimo global responde por mais de 80% do comércio mundial, mas representa cerca de 2,89% das emissões de GEE, com crescimento de 20% na última década, segundo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). A IMO revisou sua estratégia em 2023, estabelecendo como metas indicativas reduzir ao menos 20% das emissões até 2030, 70% até 2040 e atingir zero líquido em 2050, exigindo adaptação de frotas e infraestrutura portuária em escala global.

No Brasil, o contexto combina incentivos públicos, P&D corporativo e pressão regulatória internacional, criando oportunidades para a indústria naval se posicionar como protagonista na descarbonização do transporte marítimo. A integração entre políticas públicas, inovação tecnológica e ações de empresas como BNDES e Petrobras mostra que o país avança para consolidar um setor naval competitivo e ambientalmente sustentável.

Com informações do brasil247

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