Advogada é lembrada como símbolo de resistência e tem trajetória contada em filme vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro

Em ato simbólico que reafirma o compromisso com a memória e a verdade histórica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu a Ordem de Rio Branco, in memoriam, à advogada Eunice Paiva (1929-2018). A homenagem foi oficializada por meio de publicação no Diário Oficial da União desta quarta-feira (28), informa o g1.
A condecoração, no grau de comendador, reconhece a relevância da trajetória de Eunice, uma das principais vozes entre os familiares de mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar (1964-1985). Seu nome ficou marcado na história brasileira como símbolo de resistência, após o desaparecimento forçado de seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva, sequestrado, torturado e assassinado por agentes do regime em 1971.Play Video
A coragem de Eunice foi ainda mais notável diante do desafio de criar sozinha os cinco filhos do casal enquanto exigia justiça e reparação. A força com que enfrentou o Estado autoritário transformou sua dor em militância e sua história em referência para gerações.
A trajetória da família Paiva foi registrada no livro Ainda Estou Aqui, escrito por seu filho, o autor e dramaturgo Marcelo Rubens Paiva. Lançado em 2015, o relato pessoal ganhou adaptação cinematográfica, também intitulada Ainda Estou Aqui, e rompeu barreiras ao conquistar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro — feito inédito para uma produção brasileira. O longa ampliou o alcance da história de Eunice e reavivou o debate sobre os crimes da ditadura militar.
Graduada inicialmente em Letras, Eunice decidiu estudar Direito após o desaparecimento do marido. Ao longo da nova carreira, especializou-se em direito indígena e prestou consultoria para instituições como o governo federal, o Banco Mundial e as Nações Unidas. Sua atuação jurídica aliava técnica e sensibilidade, sempre voltada à justiça social.
Eunice Paiva faleceu aos 86 anos, em 12 de dezembro de 2018, na cidade de São Paulo, após anos convivendo com o Mal de Alzheimer. Seu legado, no entanto, permanece vivo tanto na luta dos familiares de vítimas da ditadura quanto na memória coletiva da democracia brasileira.
Criada em 1963, a Ordem de Rio Branco é uma das mais altas distinções concedidas pelo Itamaraty. A honraria homenageia cidadãos brasileiros e estrangeiros, além de instituições, por méritos excepcionais. Dividida em cinco classes — grã-cruz, grande oficial, comendador, oficial e cavaleiro —, a ordem tem ainda dois quadros: o ordinário, voltado a diplomatas da ativa, e o suplementar, destinado a diplomatas aposentados, cidadãos e entidades nacionais ou internacionais.
A escolha do nome de Eunice Paiva para figurar entre os agraciados da comenda reafirma o papel da memória como fundamento da democracia. Ao homenageá-la, o governo brasileiro presta tributo não apenas à sua história, mas também a todas as famílias que sofreram com os crimes do regime militar.
Com informações do Brasil 247
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