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Calor extremo é risco crescente para o Brasil, alertam especialistas

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País registra temperaturas recordes neste início de verão, enfrenta desigualdade na exposição aos riscos climáticos e encara desafios na implementação de políticas ambientais. Especialistas alertam que o cenário deve se agravar

A recente onda de calor que elevou os termômetros a níveis recordes em diversas cidades brasileiras reacendeu o debate sobre o aquecimento global e os impactos das mudanças climáticas. Especialistas alertam que o cenário tende a se agravar, com projeções para 2026 e para a próxima década indicando a intensificação de eventos extremos no país.

A capital paulista bateu, neste domingo (28/12), um novo recorde de calor para dezembro, com a temperatura chegando a 37,2 °C. No Rio de Janeiro, as temperaturas intensas mantêm as praias cheias mesmo durante a madrugada. Por volta das 4h da manhã de domingo, o Arpoador registrava grande movimentação de banhistas, evidenciando a dimensão do problema, que também se reflete no aumento do lixo deixado nas areias.

As projeções para o próximo ano indicam um cenário ainda mais preocupante de calor, reforçando a avaliação crítica do sociólogo e escritor Sérgio Abranches, que alerta para o agravamento dos eventos climáticos extremos e para a falta de respostas eficazes no cenário internacional.

“Ninguém está se adaptando a essa situação climática cada vez mais grave que já vivemos. E poucos se dão conta de que, a cada ano em que deixamos de tomar decisões mais vigorosas para promover mudanças, antecipamos o ponto de não retorno”, diz ao Correio.

Segundo ele, a intensidade do calor, assim como a frequência de secas, tende a aumentar nos próximos anos.”Vamos ter um colapso. O que estava previsto para acontecer em meados do século foi antecipado para 2035. Algumas coisas já aconteceram, outras já estão acontecendo”, afirma.

Abranches considera que saída dos Estados Unidos dos acordos climáticos acabou desacelerando as metas da China e da União Europeia no que diz respeito à adaptação às mudanças climáticas. “Todos nós fazemos menos do que deveríamos. Com a saída dos Estados Unidos, há um efeito dominó, porque quando os EUA saem, a China recua na ampliação de suas metas de redução de gases, e a Europa também, pois ao ver Estados Unidos e China recuando, conclui que não pode fazer sozinha todo o esforço e acaba ficando no mesmo ritmo.”

No Brasil, os grupos mais vulneráveis são os que mais sofrem com ondas de calor, além de enfrentarem escassez de recursos e exclusão de direitos, fatores que os tornam especialmente sensíveis aos impactos das mudanças climáticas. Essa desigualdade se reflete na dificuldade de acesso a serviços e recursos básicos, e na maior exposição a riscos ambientais.

Economia circular

O setor de reciclagem tem apostado na economia circular como uma das estratégias para o Brasil enfrentar as mudanças climáticas. O modelo econômico prioriza a redução de resíduos e o uso contínuo de recursos recicláveis, com base em práticas como compartilhar, alugar, reparar, reutilizar, remanufaturar e reciclar materiais e produtos, com o objetivo de tornar o sistema produtivo mais sustentável e regenerativo.

O presidente do Instituto Nacional da Reciclagem (Inesfa), Clineu Alvarenga, avalia, no entanto, que ainda falta empenho para que o país avance de forma consistente na área. Segundo ele, a reciclagem permite economizar energia e água, reduzir a emissão de monóxido de carbono e contribuir para a preservação de minas e áreas florestais.

Dados do Inesfa indicam que o Brasil detém um dos maiores índices de reciclagem de latas de alumínio do mundo, próximo de 100%. Em contrapartida, materiais como vidro e papel ainda apresentam taxas bem mais baixas, em torno de 25% e 20%, respectivamente.

O segmento tem apostado no diálogo com o Congresso Nacional para ampliar os incentivos à atividade. Durante a tramitação da reforma tributária, instituições ligadas à reciclagem atuaram na elaboração de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a isenção do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) para a indústria que adquirir material reciclado. 

“Se você tem uma indústria de transformação, comprar o insumo e ele for reciclado, você terá isenção de IBS e CBS. Isso é um grande incentivo para reciclagem”, defende Alvarenga.

O setor de papel também chama atenção para a queda na taxa de reciclagem, que chegou a cerca de 70% em 2018 e caiu para 59,6% em 2024. Um dos fatores apontados é a baixa demanda por papel reciclado.

Segundo João Paulo Sanfins, vice-presidente da Associação Nacional dos Aparistas de Papel (Anap), o investimento na produção de celulose tornou o papel virgem mais competitivo e economicamente mais atraente.

“A celulose, muitas vezes, se torna mais atrativa do que utilizar a matéria-prima reciclada, as aparas. Então, estamos conversando com o governo, há um bom tempo, para que seja feito um decreto”, diz Sanfins.

O texto seguiria lógica semelhante à do Decreto do Plástico, assinado em outubro, que responsabiliza empresas, marcas, supermercados, distribuidores e importadores pela coleta do material. A norma também estabelece a obrigatoriedade do uso de plástico reciclado em novas embalagens a partir do próximo ano. 

É esse mesmo modelo que o setor de papel espera ver aplicado à sua cadeia produtiva. “Isso é fantástico porque estimulamos de um lado coleta e do outro o consumo dessa matéria-prima produzida a partir da reciclagem”, ressalta o vice-presidente da Anap.

Com informações do Correio Braziliense

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