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Crise na Ásia: Japão e China fecham 2025 em rota de colisão

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GYEONGJU, SOUTH KOREA - NOVEMBER 01: Japanese Prime Minister Sanae Takaichi speaks during a press conference after the 2025 Asia-Pacific Economic Cooperation (APEC) Economic Leaders' summit on November 01, 2025 in Gyeongju, South Korea. Leaders and delegates from 21 APEC economies are gathering in South Korea for the upcoming APEC summit, where talks are expected to center on trade, supply chain stability, and technology cooperation. The meetings come amid heightened regional tensions and efforts to boost growth through closer economic integration, and as U.S. President Trump tours Asia on a six-day visit. (Photo by Chung Sung-Jun/Getty Images)
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Taiwan, principal estopim da escalada de tensões entre o Japão e a China, tornou-se prioridade no fim de 2025

Sem completar sequer seis meses no cargo, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, se jogou em um conflito diplomático que envolve ameaças militares contra a China, após declarar que Tóquio reagirá militarmente caso o país avance sobre Taiwan. A crise marca o fim de 2025 com uma escalada nas tensões entre as duas nações asiáticas.

Após a declaração feita em outubro, a retórica entre os dois países se tornou mais dura. Durante uma sessão no Parlamento japonês, a premiê foi questionada sobre ameaças à segurança nacional. Ela afirmou que um bloqueio naval chinês a Taiwan, caso envolva ações militares, poderia representar um risco à sobrevivência do Japão, que teria de usar a força para se defender.

A China considera Taiwan parte de seu território e afirma que a ilha não possui independência.

O governo chinês não reagiu bem aos comentários de Takaichi. O Ministério das Relações Exteriores da China exigiu que ela retirasse as declarações sobre Taiwan.

Nas redes sociais, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, contestou a ausência de um pronunciamento de Takaichi para retirar a declaração sobre Taiwan.


China x Japão


Conforme as tensões aumentavam, embarcações chinesas e japonesas entraram em confronto próximo a um grupo de ilhas, no Mar da China Oriental, no início de dezembro. Ambos os países apresentam versões diferentes do ocorrido.

As embarcações, segundo a mídia local japonesa, estavam armadas com metralhadoras. A Guarda Costeira do Japão informou ter interceptado dois navios chineses que se aproximavam de um barco de pesca.

O presidente da China, Xi Jinping, conversou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e enfatizou a posição da China sobre a questão de Taiwan. Segundo Xi, “o retorno de Taiwan à China é parte integrante da ordem internacional pós-guerra”.

A nova estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos, divulgada pela Casa Branca, destacou como prioridade a dissuasão de confrontos militares, particularmente em Taiwan.

Após quase um mês sem fazer comentários diretos, a premiê afirmou, no dia 18 de dezembro, que o Japão está sempre disposto ao diálogo aberto com a China.

“A comunicação é importante justamente porque existem questões e desafios pendentes. Permanecemos sempre abertos ao diálogo com a China”, pontuou Takaichi.

Ela destacou que “a China é uma vizinha importante para o Japão” e que é preciso construir uma “relação construtiva e estável”.

Maurício Santoro, cientista político e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, avaliou que, para o Japão, faria sentido responder militarmente à China, em caso de um conflito dos chineses com Taiwan. “Sobretudo se os Estados Unidos também apoiassem Taiwan em um conflito.”

Maurício faz uma comparação com a guerra entre Rússia e Ucrânia, na qual, segundo o cientista, os principais defensores da Ucrânia são países geograficamente próximos, como a Polônia e os países bálticos, “porque esses países entendem que se a Ucrânia cair, eles serão os próximos”.

Com isso, Maurício afirma que, para o Japão é mais interessante que Taiwan permaneça como um território de governo autônomo.

“Eles (países próximos à Ucrânia) estariam ali diretamente expostos a uma eventual agressão russa. E é semelhante na Ásia Pacífica. Se houver uma guerra, se a China ocupar Taiwan, isso colocaria o Japão numa posição muito mais frágil e ameaçada”.

Reação de Taiwan

Em resposta ao aumento de ofensiva, o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, anunciou um orçamento especial de defesa de US$ 40 bilhões, em resposta à “crescente pressão de Pequim”, que fortalecerá “significativamente as capacidades assimétricas de Taiwan”.

Os Estados Unidos aprovaram um pacote de venda de armas para Taiwan, avaliado em mais de US$ 11,1 bilhões, que reforça a capacidade de defesa da ilha e é considerado o maior já destinado ao território.

A Agência de Cooperação de Segurança de Defesa dos EUA (DSCA, na sigla em inglês) publicou oito comunicados detalhando cada venda, nos quais afirma que “ajudarão a melhorar a segurança do destinatário e a manter a estabilidade política, o equilíbrio militar e o progresso econômico na região”.

Com informações do Correio Braziliense

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