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Caso Master: em acareação, versões opostas de Vorcaro e Costa

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Dono do banco e ex-presidente do BRB divergem sobre a procedência de carteiras vendidas à instituição do Distrito Federal. Vídeos das alegações dos dois e de depoimentos à Polícia Federal têm sigilo derrubado pelo relator do caso, Dias Toffoli

Em acareação no Supremo Tribunal Federal (STF), o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília Paulo Henrique Costa apresentaram versões diferentes sobre a origem das carteiras de crédito vendidas ao banco público do Distrito Federal.

Vorcaro afirmou que o BRB tinha conhecimento de que parte dos créditos não havia sido originada pelo Master, mas, sim, por outra empresa, a Tirreno, de forma genérica. Os papéis se revelaram desvalorizados em seguida.

“Chegamos a conversar por algumas vezes que a gente começaria um novo formato de comercialização, que seria de terceiros, carteiras originadas por terceiros, e não mais originação própria, especificamente”, disse.

A delegada responsável pelo caso, Janaína Pereira Lima Palazzo, questionou se Vorcaro avisou que seriam carteiras originadas por terceiros. Ele sustentou: “Sim, eu não me lembro a data específica, mas a gente chegou a conversar, em algum momento, que a gente teria essa comercialização desse novo tipo de carteira”. Segundo o banqueiro, “o BRB sabia que aqueles créditos não eram do Master”. “Isso foi informado desde o início”, reiterou.

Paulo Henrique Costa, no entanto, negou a informação. Ele afirmou ter entendido que os ativos tinham origem no próprio Master e que depois surgiram dúvidas sobre a procedência das carteiras. “Em nenhum momento me foi dito que os créditos não eram do Master. Essa informação só apareceu depois, quando começaram os problemas”, enfatizou.

O vídeo com a acareação, realizada em dezembro, teve o sigilo derrubado, nessa quinta-feira, pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF. A investigação apura suspeitas de irregularidades na tentativa de compra do Master pelo BRB.

O magistrado atendeu a um pedido do Banco Central, que apontou a necessidade de ter acesso ao depoimento prestado por seu diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino Santos, à Polícia Federal. As oitivas foram conduzidas pela delegada Janaína Palazzo. Um juiz auxiliar do gabinete de Toffoli e um membro do Ministério Público acompanharam os depoimentos.

A Operação Compliance Zero da PF indica que o BRB fez operações consideradas irregulares com o Master numa tentativa de dar fôlego à instituição de Vorcaro, enquanto o Banco Central analisava a proposta de aquisição. O banco do DF chegou a formalizar a oferta em março deste ano, mas o negócio acabou vetado pela autoridade monetária.

Ibaneis

Outro vídeo liberado nessa quinta-feira, que teve trechos divulgados na semana passada, Vorcaro disse, em depoimento à Polícia Federal, que conversou com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, “em poucas oportunidades” sobre a venda de ativos do Master ao BRB. Segundo ele, os encontros ocorreram para “conversas institucionais”. “Conversei em algumas poucas oportunidades. O governador já foi à minha casa uma vez e eu já fui na casa dele. Nós nos encontramos poucas vezes, para conversas institucionais”, disse.

Já Ibaneis negou ter participado de qualquer negociação envolvendo a tentativa de compra. “Nunca tratei nada relacionado ao BRB com o Vorcaro. Todas as tratativas foram feitas pelo Paulo Henrique (Costa) — ex-presidente do BRB”, afirmou ao Correio, no sábado passado. O governador confirmou, no entanto, que manteve encontros com Vorcaro e chegou a ir à residência do banqueiro, mas ressaltou que o tema não foi discutido nessas ocasiões.

Sem senha

Vorcaro se negou a passar a senha do celular — apreendido na operação Compliance Zero — durante o depoimento à PF. Na ocasião, o advogado Roberto Podval argumentou que isso poderia comprometer a privacidade e a vida pessoal de seu cliente.

“O sigilo das comunicações dele (Daniel Vorcaro) e a nossa preocupação menos têm a ver com qualquer relação comercial do banco empresarial, mas com relações pessoais e privadas”, justificou o advogado.

O banqueiro refutou que o Master tenha realizado fraudes em carteiras de investimentos.”O que eu mais quero é restabelecer a verdade. Essa fraude que foi colocada, ela não existiu, e não era para ter liquidado o banco”, frisou.

Também à PF, em oitiva realizada em 30 de dezembro, o diretor do Banco Central Ailton Aquino afirmou que a governança do Banco de Brasília deveria ter sido capaz de identificar problemas nos créditos adquiridos do Master. Ele acredita que houve falhas.

“Tenho certeza de que a governança do BRB deveria ter identificado. Não tenho dúvida disso. Aplicando-se técnicas é possível identificação da existência ou não dos créditos. Falha na governança do BRB”, enfatizou.

Com informações do Correio Braziliense

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