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COP30: Periferias já atuam no combate à crise climática, mas apenas 15,9% recebem financiamento

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Preparado para ser apresentado na COP30, o estudo com 113 organizações periféricas revela desigualdade racial e territorial no acesso a recursos

As periferias brasileiras estão na linha de frente do enfrentamento à crise climática, mas continuam fora do circuito do financiamento. É o que revela o relatório “Diretrizes para a Filantropia Climática”, lançado pela Iniciativa PIPA. O estudo será apresentado no dia 12 de novembro, em Castanhal (Região Metropolitana de Belém), em parceria com o Coletivo MIRÍ, durante a COP30. Além da apresentação, os coletivos participarão de mesas e articulações ao longo do evento.

A Iniciativa PIPA lança o relatório após divulgar um manifesto de compromisso da filantropia no G20. Segundo o novo levantamento, 82,3% das organizações periféricas realizam ações ligadas à agenda climática, mas apenas 15,9% acessam recursos específicos de clima. O estudo reúne dados de 113 organizações periféricas de todas as regiões e biomas do país, além de informações qualitativas coletadas em uma imersão com 20 organizações do Recife (PE) — encontro que mapeou práticas locais de adaptação e tecnologias sociais voltadas à justiça climática.

O relatório evidencia que as periferias fazem muito com pouco: são elas que sustentam redes de cuidado, agroecologia, reflorestamento e soberania alimentar, mas continuam sendo as menos financiadas e as menos ouvidas.

— A Iniciativa PIPA estabelece diretrizes para a filantropia climática em um momento urgente, em que as emergências ambientais se tornam cada vez mais recorrentes. As periferias, que estão entre as mais afetadas, vêm se organizando para participar das discussões e influenciar a construção dessa agenda de financiamento — destaca Gelson Henrique, Diretor Executivo da Iniciativa PIPA.

Desigualdade racial e territorial

O documento reforça que a maioria dos moradores das periferias brasileiras é formada por pessoas negras (85,8%), mulheres (54%) e jovens (67,3%), e são esses os principais públicos apoiados pelas ações climáticas desses territórios. Essa sobreposição entre vulnerabilidade racial, social e ambiental escancara o que a PIPA define como racismo ambiental — a concentração dos efeitos da crise climática em corpos e comunidades historicamente marginalizados.

A pesquisa também mostra que 52% das organizações periféricas atuam de forma informal, sem CNPJ, o que as impede de concorrer em editais e acessar os principais fundos de doação. Essa informalidade, segundo o relatório, não é sinônimo de ausência de ação, mas reflexo de barreiras burocráticas e da exclusão histórica dessas iniciativas das estruturas institucionais do financiamento.

Soluções já em curso

Durante o encontro em Recife, as 20 organizações participantes mapearam ações concretas de enfrentamento aos extremos climáticos, entre elas:

– Mapeamento participativo de áreas de risco, sensores comunitários e redes de alerta para inundações;

– Bioconstruções e moradias adaptadas ao calor, com uso de telhados verdes e materiais ecológicos;

– Hortas e sistemas agroecológicos, para combater a insegurança alimentar;

– Reflorestamento, proteção de nascentes e denúncias ambientais;

– Redes solidárias de doações e abrigos comunitários.

Essas soluções, afirma a PIPA, mostram que as periferias não estão esperando o financiamento acontecer: elas já estão respondendo à crise climática com inovação e solidariedade.

Três diretrizes para um financiamento mais justo

O relatório propõe três diretrizes centrais para redesenhar o financiamento climático no Brasil, com o objetivo de aproximar as práticas da filantropia das realidades dos territórios mais afetados.

– Geo-priorização dos recursos, para que o dinheiro chegue primeiro aos territórios mais vulneráveis;

– Criação de um mecanismo público de monitoramento das doações climáticas, com transparência e rastreabilidade;

– Protocolos ágeis de repasse emergencial, permitindo respostas rápidas a enchentes, ondas de calor e outros eventos extremos.

— Em conjunto, esses efeitos redistribuem poder, dinheiro e tempo: poder (decidir com os territórios), dinheiro (para onde o risco é maior) e tempo (responder na velocidade da emergência), tornando o financiamento climático mais justo e efetivo nos territórios periféricos — conclui Nildamara Torres, Coordenadora de Pesquisa na Iniciativa PIPA.

*Conteúdo originalmente publicado no Brasil 247

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