A trajetória política de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, é marcada por uma relação – no mínimo – conflituosa com as instituições democráticas e por ações que colocaram em xeque tanto a ordem constitucional norte-americana quanto os princípios básicos do direito internacional. Dois episódios separados por cinco anos — a invasão do Capitólio, em Washington, e a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela que resultou no sequestro de Nicolás Maduro — passaram a ser analisados em conjunto por exporem uma mesma lógica de poder, baseada no desprezo às regras democráticas e na imposição da força.
O ataque ao Capitólio, ocorrido em 6 de janeiro de 2021 após a derrota eleitoral de Trump para Joe Biden, foi amplamente descrito pela imprensa internacional, por investigações oficiais e por historiadores como uma tentativa de subverter o resultado das urnas. Segundo reportagens publicadas à época, Trump, então presidente, incentivou seus apoiadores a contestarem a certificação do resultado eleitoral, alimentando a narrativa de fraude sem apresentar provas e estimulando a mobilização que culminaria na invasão do Congresso.
Naquele dia, milhares de manifestantes marcharam até o Capitólio enquanto o Parlamento se reunia para formalizar a vitória de Biden. A ação violenta interrompeu os trabalhos legislativos, provocou confrontos com a polícia, deixou mortos e feridos e levou parlamentares a se refugiarem às pressas. Embora Trump não tenha participado fisicamente da invasão, seu discurso horas antes e sua recusa em reconhecer o resultado eleitoral foram apontados por investigações posteriores como elementos centrais para a escalada dos acontecimentos.
Cinco anos depois, já de volta à Casa Branca, Donald Trump voltou a protagonizar um episódio de enorme repercussão internacional ao ordenar uma operação militar dos Estados Unidos na Venezuela no último sábado (3). A ação envolveu forças especiais norte-americanas e resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, que foi retirado do país e levado para os Estados Unidos. O governo Trump apresentou a operação como parte de uma suposta ofensiva contra o narcotráfico, mas a iniciativa foi imediatamente denunciada por autoridades venezuelanas e por diversos atores internacionais como uma violação da soberania nacional, visando principalmente o roubo do petróleo do país sul-americano.
Na Venezuela, a operação foi descrita como um sequestro de chefe de Estado e como mais um capítulo da longa história de intervenções externas no país. Setores políticos, movimentos sociais e instituições venezuelanas apontaram que a ação ignorou completamente os mecanismos do direito internacional, a Carta das Nações Unidas e qualquer mediação multilateral, aprofundando a instabilidade regional e penalizando a população venezuelana.
A comparação entre os dois episódios revela um padrão recorrente na atuação de Trump. No plano interno, o presidente dos Estados Unidos tentou se manter no poder questionando o resultado de uma eleição legítima e incentivando uma mobilização que atacou diretamente o coração da democracia norte-americana. No plano externo, recorreu ao uso da força militar para impor seus objetivos políticos e econômicos sobre um país soberano, sem respaldo de organismos internacionais e à margem das normas que regem as relações entre Estados.
Os acontecimentos de Washington e Caracas, embora distintos em contexto e escala, passaram a ser vistos como expressões complementares de uma mesma visão autoritária de poder. A invasão do Capitólio permanece como um trauma na história política dos Estados Unidos, enquanto a intervenção na Venezuela reforça o sentimento de vulnerabilidade diante da ingerência externa. Em ambos os casos, a marca deixada por Donald Trump é a de um líder disposto a relativizar a democracia e o direito internacional para alcançar seus objetivos políticos.
Originalmente publicado em Brasil247
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