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Entidades do agro e de setores empresariais apoiam reação de Lula contra Trump

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CNA, Ciesp e Abinee criticam tarifa de 50% imposta pelos EUA e defendem diálogo com o governo Lula para preservar os interesses econômicos do Brasil


A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros provocou forte reação de entidades representativas do setor produtivo nacional, que saíram em apoio à postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a medida. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) divulgaram notas públicas nesta quinta-feira (10/7) em que criticam o tarifaço imposto unilateralmente por Trump.

As informações foram publicadas pelo portal Metrópoles, que destacou a manifestação da CNA, segundo a qual a medida “não se justifica pelo histórico das relações comerciais entre os dois países, que sempre se desenvolveram em clima de cooperação e de equilíbrio”. A entidade argumenta que a elevação das tarifas é injustificada e trará prejuízos tanto para os Estados Unidos quanto para o Brasil, afetando negativamente empresas e consumidores.

Brasil se torna o país mais atingido pelas tarifas de Trump

Com a nova taxação, que entra em vigor a partir de 1º de agosto, o Brasil se torna o país mais penalizado entre os 22 que foram alvo das sanções comerciais anunciadas por Trump. As tarifas serão aplicadas de forma abrangente, além de outras específicas já existentes, como as que incidem sobre aço, alumínio e agora cobre — este último também atingido por uma nova sobretaxa de 50%.

Desde abril, produtos brasileiros já vinham sendo alvo de tarifas de 10%, o que agora se intensifica com a medida mais agressiva anunciada pelo governo norte-americano. Entre os setores mais afetados estão o agronegócio e a indústria de base, que enfrentam concorrência direta com produtos norte-americanos no mercado internacional.

Hostilidade de Trump ao Brasil e ao Brics

Em sua segunda passagem pela Casa Branca, Donald Trump tem adotado uma postura ainda mais agressiva em relação ao bloco do Brics e ao Brasil. O presidente norte-americano chegou a afirmar que o Brasil “não está sendo bom” para os Estados Unidos e ameaçou aplicar tarifas de até 100% a países que, segundo ele, não se subordinarem aos interesses comerciais de Washington.

Apesar de serem o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, os Estados Unidos registraram em 2024 uma leve vantagem na balança comercial com o país sul-americano: enquanto o Brasil exportou US$ 40,3 bilhões, importou US$ 40,6 bilhões em produtos norte-americanos.

Setor produtivo reage em defesa do comércio e da diplomacia

O Ciesp reagiu com veemência à decisão de Trump, manifestando “profunda preocupação” com o que considera uma escalada ideológica entre os dois presidentes. “Manifestamos nossa profunda preocupação diante do atual embate entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que ultrapassa os limites da diplomacia ao utilizar a questão tarifária como instrumento de disputa pessoal e ideológica”, afirmou a entidade.

O centro industrial também refutou as justificativas econômicas apresentadas por Trump. “Faltam argumentos concretos em favor dos EUA para uma tarifa de 50% nas importações do Brasil. Na última década, o superávit comercial em bens foi de US$ 91,6 bilhões a favor dos norte-americanos, e de US$ 256,9 bilhões quando se incluem os serviços”, informou o Ciesp.

A Abinee, por sua vez, alertou para os impactos sobre o setor eletroeletrônico brasileiro, sobretudo nas exportações de equipamentos de grande porte. “A medida afetaria, principalmente, as vendas externas de equipamentos elétricos de grande porte, principais itens exportados do setor, tendo em vista os investimentos consideráveis que estão sendo realizados internamente naquele país para a criação de uma infraestrutura de recarga de veículos elétricos em todo o território”, afirmou a associação em nota.

Diálogo como saída para o impasse

A CNA conclui sua nota reafirmando a necessidade de uma solução pacífica e negociada para o impasse. “Os produtores rurais brasileiros consideram que essas questões só podem ser resolvidas em benefício comum por meio do diálogo incessante e sem condições entre os governos e seus setores privados. A economia e o comércio não podem ser injustamente afetados por questões de natureza política”, ressalta o comunicado.

As manifestações das entidades reforçam a estratégia do governo Lula de buscar apoio interno para enfrentar os desafios impostos por uma política comercial hostil dos Estados Unidos. Ao lado do agronegócio e da indústria, o Planalto sinaliza que o Brasil pretende defender seus interesses com firmeza e racionalidade, apostando no diálogo e na cooperação como alternativas ao protecionismo agressivo de Trump.

Com informações do brasil247

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