Comércio bilateral Rússia-China pode alcançar US$ 300 bilhões ainda este ano

As relações econômicas entre Rússia e China seguem em franca expansão, fortalecendo uma aliança estratégica que ganha fôlego diante das mudanças na ordem internacional. Durante o Fórum Rússia-China, iniciado nesta segunda-feira (19), na cidade de Khabarovsk, no Extremo Oriente russo, o presidente da União de Empresários Chineses na Rússia, Zhou Liqun, declarou que o volume de comércio bilateral poderá atingir impressionantes US$ 300 bilhões dentro de apenas dois ou três anos.
“A conjuntura atual é altamente favorável, e esse patamar de intercâmbio comercial é plenamente viável no curto prazo”, afirmou Zhou durante sua intervenção no fórum. Ele também destacou a necessidade de Pequim ampliar seus esforços para promover produtos russos no mercado chinês, com ênfase especial nas marcas do setor agrícola.Play Video
Um fórum estratégico para o futuro da cooperação
O Fórum Rússia-China acontece em um momento emblemático, marcando uma nova etapa da parceria entre Moscou e Pequim. O evento é organizado pelo governo da Região de Khabarovsk, com o apoio dos Ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento Econômico e do Desenvolvimento do Extremo Oriente da Rússia, além da Corporação de Desenvolvimento do Extremo Oriente e Ártico (VEB.RF) e do Centro de Exportação Russo.
A Fundação Roscongress, uma importante instituição ligada à presidência russa e responsável por promover os grandes fóruns econômicos do país, atua como operadora do evento. Mais de mil representantes de empresas, órgãos públicos e especialistas participam das atividades, distribuídas em mais de 30 espaços temáticos.
Expansão em múltiplas frentes
O programa do fórum cobre uma ampla gama de áreas: cooperação industrial, infraestrutura de transporte, comércio bilateral, turismo, questões ecológicas e iniciativas de intercâmbio cultural. A localização do evento em Khabarovsk, próxima à fronteira sino-russa, é estratégica e simboliza o eixo de integração entre as duas nações na região do Pacífico.
O avanço do comércio entre os dois países tem sido constante nos últimos anos, impulsionado tanto por fatores geopolíticos quanto econômicos. As sanções impostas pelo Ocidente à Rússia desde 2022 levaram Moscou a acelerar sua reorientação para o Leste Asiático, estreitando os laços com a China. Por sua vez, Pequim vê na parceria com a Rússia uma oportunidade de ampliar sua influência econômica na Eurásia e garantir o fornecimento de recursos estratégicos, como energia, alimentos e metais raros.
Complementaridade econômica
Especialistas apontam que há uma clara complementaridade entre as duas economias. A Rússia é rica em recursos naturais e energia, enquanto a China possui uma poderosa capacidade industrial e tecnológica. O crescimento do comércio bilateral reflete esse equilíbrio: Moscou exporta petróleo, gás, carvão, madeira e grãos; Pequim envia para o parceiro do norte produtos industrializados, equipamentos, veículos, eletrônicos e bens de consumo.
Além disso, o uso crescente das moedas nacionais nas transações comerciais – o rublo e o yuan – tem contribuído para reduzir a dependência do dólar e criar uma infraestrutura financeira própria, mais resiliente às pressões externas. Esse movimento faz parte de uma tendência mais ampla de desdolarização nas relações entre os países do BRICS e do Sul Global.
Perspectivas promissoras
Os dados mais recentes indicam que, em 2024, o volume de comércio entre Rússia e China ultrapassou US$ 240 bilhões, estabelecendo um novo recorde. Se a previsão de Zhou Liqun se concretizar, os dois países poderão alcançar a meta de US$ 300 bilhões ainda antes de 2027, consolidando uma das parcerias comerciais mais dinâmicas da atualidade.
O crescimento do comércio é acompanhado por uma intensificação do diálogo político e da coordenação estratégica em fóruns multilaterais como a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) e os BRICS. Rússia e China têm atuado em conjunto para defender uma ordem internacional multipolar, baseada no respeito à soberania dos Estados, no multilateralismo e na não ingerência.
Cooperação além do comércio
No campo cultural e turístico, os governos de ambos os países também buscam ampliar os fluxos de intercâmbio. Universidades, centros de pesquisa, agências de turismo e organizações da sociedade civil estão envolvidos em iniciativas de aproximação entre os povos russo e chinês. Um dos temas debatidos no fórum é a criação de roteiros turísticos integrados, que permitam aos visitantes explorar regiões fronteiriças com facilidade e segurança.
No setor tecnológico, cresce o interesse mútuo em áreas como inteligência artificial, infraestrutura digital, telecomunicações e energias renováveis. A Rússia, embora enfrentando sanções, possui expertise em tecnologias avançadas, enquanto a China investe pesadamente em inovação e já se consolidou como potência global em várias frentes tecnológicas.
Um novo polo de integração regional
O Fórum Rússia-China em Khabarovsk representa não apenas uma agenda de negócios, mas um marco no aprofundamento de uma aliança geoeconômica e geopolítica que desafia a hegemonia ocidental. Com o aumento do comércio, a cooperação em setores estratégicos e o fortalecimento institucional das relações bilaterais, Moscou e Pequim desenham uma nova arquitetura regional com base na integração euroasiática e na autonomia em relação ao sistema financeiro dominado pelos Estados Unidos.
O futuro da parceria sino-russa parece cada vez mais sólido e promissor. Com metas ambiciosas, interesses comuns e uma visão compartilhada de desenvolvimento soberano, os dois países caminham para se tornar pilares de um mundo multipolar em ascensão.
Com informações do Brasil 247
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