Magnata relutou o quanto pôde para divulgar documentos que podem implicá-lo em crimes sexuais com menores
O presidente dos EUA, Donald Trump sancionou na noite da quarta-feira (19) a lei que obriga o Departamento de Justiça dos Estados Unidos a divulgar os arquivos do caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein e sua cúmplice Ghislaine Maxwell. Analistas avaliam que os documentos podem conter revelações que aprofundem a crise entre a conservadora base republicana do magnata, caso reforcem a ligação entre os dois antigos amigos.
“Acabei de assinar o projeto de lei para tornar públicos os arquivos de Epstein! Como todos sabem, pedi ao presidente da Câmara, Mike Johnson, e ao líder da maioria no Senado, John Thune, que aprovassem este projeto de lei na Câmara e no Senado, respectivamente. Graças ao meu pedido, os votos foram quase unânimes a favor de sua aprovação”, o presidente escreveu em sua rede, o Truth Social.
Trump destacou que, sob sua direção, o Departamento de Justiça já entregou quase 50 mil páginas de documentos ao Congresso. “Não se esqueçam: o governo Biden não entregou um único arquivo, eles sequer mencionaram o nome dele”, vangloriou-se o presidente.
Ele também lembrou que Epstein foi indiciado pelo Departamento de Justiça do governo Trump em 2019, e não pelos democratas, que “ele foi democrata a vida toda, doou milhares de dólares para políticos democratas e tinha fortes ligações com muitas figuras conhecidas do partido”, mencionando o ex-presidente Bill Clinton, o ativista político Reid Hoffman, o líder da minoria Hakeem Jeffries e a congressista democrata Stacey Plaskett.
No último domingo, quando ficou claro que o texto seria aprovado por republicanos e democratas no Congresso, Trump mudou publicamente de postura. Disse que agora apoiava a iniciativa, embora tenha sublinhado que essa legislação não deveria “desviar a atenção” dos “resultados sem precedentes” de seu governo.
O Senado aprovou o projeto de lei por unanimidade na noite de terça-feira (18/11), poucas horas depois de a proposta ter sido aprovada pela Câmara dos Representantes. A iniciativa exige que os documentos sejam tornados públicos no prazo de 30 dias a partir da sua promulgação, com algumas exceções para proteger os dados sensíveis das vítimas.
O avanço do PL foi desbloqueado depois que Trump retirou sua oposição, embora vários parlamentares republicanos tenham descrito a votação como uma manobra política orquestrada pelos democratas. O presidente dos EUA já foi alvo de escrutínio diversas vezes por sua longa amizade com Epstein, mas nega qualquer envolvimento em suas atividades.
Pesquisa Ipsos divulgada em 18 de novembro mostra que os índices de aprovação de Trump caíram para 38%, os mais baixos desde o início deste mandato, no começo do ano. A forma como o presidente lida com o escândalo sexual é apontada, ao lado da inflação, como causa de sua impopularidade.
Contexto
O suicídio de Epstein em sua cela no ano de 2019 alimentou teorias da conspiração segundo as quais o financista, com vastas relações nos círculos políticos, empresariais e do entretenimento, teria sido assassinado para evitar revelações embaraçosas.
Depois de prometer durante a campanha presidencial de 2024 revelações impactantes, Trump pede agora aos seus apoiadores que virem a página, e chama o caso de “farsa” da oposição democrata. Mas isso pode não ser tão simples.
Ao Brasil de Fato, o pesquisador da Universidade Brown James Green afirmou que o escândalo pode custar a Trump a maioria no Congresso nas eleições do ano que vem, já que sua base eleitoral, conservadora e sensível a escândalos sexuais, pode o abandonar.
“Se 1%, 2% ou 3% da base do Trump se decepciona com ele e resolvem não votar nas eleições em 2026, pode ser determinante nos resultados”, disse ele.
Trump e Epstein, ambos figuras da elite nova-iorquina, foram próximos desde o fim dos anos 1980, até se distanciarem no início dos anos 2000. Isso ocorreu anos antes do início dos processos judiciais contra o financista, acusado de ter organizado uma rede de exploração sexual de meninas menores de idade.
O presidente dos Estados Unidos, que nunca foi acusado pela Justiça nesse caso, opôs-se ao projeto de lei de “transparência no caso Epstein” e exerceu forte pressão sobre os legisladores republicanos que o apoiavam.
*Conteúdo originalmente publicado Brasil de Fato
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