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Guerra comercial entre Trump e China coloca Japão em situação difícil

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EUA e China são os dois maiores parceiros comerciais do Japão. Guerra comercial tem impacto profundo na matriz exportadora do país

A guerra comercial iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a China está longe do fim. Diante da escalada do conflito, o Japão, aliado dos dois países, encontra-se em situação cada vez mais delicada. Para entender os impactos da guerra comercial na economia japonesa, o Metrópoles buscou a opinião de especialistas.

O professor de economia internacional na Hayek Global College, Maurício Bento, explica que EUA e China são os dois maiores parceiros comerciais do Japão.

“A imposição de tarifas aos produtos japoneses pode levar a uma possível redução na demanda por seus produtos, afetando o emprego e o bem-estar na já estagnada economia do país. Além disso, uma escalada global na guerra comercial pode desestabilizar cadeias de produção, afetando negativamente o país”, aponta ele.

Montante dos negócios

O economista André Andriw, revela que, de acordo com dados do Observatório de Complexidade Econômica de 2023, o Japão fez mais negócios com os EUA (US$ 143 bilhões, no total, sendo US$ 41 bilhões somente em carros), seguido de China (US$ 138 bilhões) e Taiwan (US$ 43 bilhões).Play Video

O especialista destaca que “a guerra comercial tem um impacto profundo na matriz exportadora do Japão, que possui 4,5% das importações norte-americanas.”

“Com uma tarifa de 10% dos EUA, estima-se que as exportações de carro [do Japão] podem cair US$ 1,2 bilhão entre 2025 e 2026. O setor automotivo japonês é tecnologicamente complexo, porém enfrenta uma concorrência feroz das automotivas chinesas e depende do mercado norte-americano, australiano e europeu para manter a escala produtiva”, destaca André.

Risco na estratégia japonesa

O economista explica que a economia japonesa depende de importações e utiliza as exportações para alavancar o crescimento econômico. Ou seja, “com a guerra comercial e retaliação protecionista dos países, o ímpeto da economia japonesa pode diminuir gradativamente”.

Segundo Andriw, “o ponto fraco é justamente a importação de energia e alimentos, como gás natural, petróleo cru, carnes e grãos que podem sofrer variações com as mudanças na cadeia global de suprimentos e gerar inflação no país”.

Impactos na indústria do Japão

O professor Maurício Bento relembra que o Japão foi símbolo de crescimento e desenvolvimento até os anos 80, chegando a ser a segunda maior economia do mundo, mas que enfrenta a estagnação há décadas. Exportador de bens de alto valor agregado, o país pode ser diretamente prejudicado.

“As tarifas impostas pelos norte-americanos podem induzir indústrias exportadoras a fecharem unidades em território japonês e migrarem para os EUA, de modo a continuar produzindo para o mercado americano sem ter de pagar as taxas. A atração de indústrias e empregos é um dos objetivos da guerra comercial e é parte da promessa de “fazer a América grande novamente”, mantra tão repetido pelo presidente Trump”, explica ele.

Soma-se a esse contexto, ainda, os enfrentamentos internos do Japão. André Andriw lembra que”com uma população envelhecida, fica mais difícil aumentar o ritmo de produção e o consumo interno”.

“Dados do Banco Mundial revelam que o PIB japonês está desacelerando desde 1988, quando registrou 6,7% de crescimento anual e atualmente gira em torno de 1% e 1,7% ao ano, revelando que o dinamismo econômico do passado foi substituído por uma economia estacionária que poderá perder competitividade”.

Japão em busca de solução

Para o economista, o governo japonês entendeu a complexidade do cenário e “já lançou um pacote econômico emergencial a fim de amortecer os impactos das tarifas norte-americanas”. O especialista cita que “o pacote inclui financiamentos para grandes empresas exportadoras, bem como subsídios para reduzir o custo da energia elétrica e da gasolina”.

“Um ponto de destaque são as medidas para fomentar as pequenas e médias empresas japonesas, vulneráveis aos choques tarifários. Para esse segmento, o Estado japonês, via bancos parceiros, colocará linhas de crédito subsidiado para fortalecer as operações, bem como incentivar as exportações para países onde os produtos são competitivos”, afirma Andriw.

Maurício F. Bento ressalta que “o governo japonês tem adotado uma postura diplomática para lidar com as tensões entre EUA e China”. Visto que, recentemente, o Japão “retomou o diálogo com a China, com o objetivo de melhorar o relacionamento entre os países”.

Além da retomada do diálogo, “a China propôs uma aliança estratégica com o Japão para enfrentar o protecionismo norte-americano. Por outro lado, parte do objetivo do Presidente Trump com as tarifas é disparar processos de negociação, assim o Japão deve manter um canal aberto com os norteamericanos”.

“Com a escalada no conflito, tanto Washington quanto Pequim devem pressionar mais e mais os países a tomarem uma posição clara e o desafio em manter o equilíbrio e o bom relacionamento diplomático com ambos de modo concomitante deve crescer”, concluiu Maurício F. Bento.

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