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Guerra da Ucrânia: 2025 foi o ano da retomada das negociações, mas paz ainda é distante

Ano chega ao fim com propostas concretas para o fim da guerra, mas plano de paz ainda gera profundas divergências

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O ano de 2025 ficou marcado pela retomada das negociações para o fim da guerra na Ucrânia, com a chegada de Donald Trump ao poder nos EUA e com a retomada do diálogo entre Moscou e Washington. Mas o ano termina sob um permanente impasse entre Rússia e Ucrânia.

A resolução do conflito nunca esteve tão próxima, considerando que há em curso uma negociação sobre termos concretos para se chegar a um acordo, com base no plano de paz apresentado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, nos últimos meses. No entanto, Kiev e Moscou demonstram ainda divergências profundas sobre pontos sensíveis das negociações, como a questão territorial das regiões ocupadas pela Rússia, a segurança e a reconstrução da Ucrânia, sanções e as reservas internacionais russas congeladas pelo Ocidente.

Na tradicional coletiva de imprensa de fim de ano, realizada na sexta-feira passada (19), o presidente russo Vladimir Putin deu o tom da posição da Rússia sobre o atual estágio do conflito, alegando que Moscou está disposta a chegar a uma resolução, mas sob condições russas.

Confira a reportagem em vídeo:

“A Rússia está pronta e disposta a resolver o conflito ucraniano pacificamente, com base nos princípios delineados pelo Ministério das Relações Exteriores no verão de 2024, e abordando a causa raiz da crise. A bola está completamente e inteiramente no campo de nossos oponentes ocidentais, por assim dizer, sobretudo, os líderes do regime de Kiev e, neste caso, principalmente seus patrocinadores europeus”, disse Putin.

De acordo com ele, Moscou ainda não vê sinais de disposição para negociar por parte da atual liderança ucraniana, embora tenha ressaltado que existem “certos sinais” da intenção de Kiev de se engajar em “algum tipo de diálogo”.

Ao mesmo tempo, Putin fez questão de destacar a continuidade dos avanços russos no campo de batalha. “Nossas tropas estão avançando ao longo de toda a linha de contato de combate. Em alguns lugares, em ritmo mais acelerado, em outros, mais lento. Mas em todas as direções, o inimigo está recuando”, afirmou.

As falas de Putin na coletiva de imprensa de fim de ano explicitam a posição de Moscou. De um lado, a manutenção da ofensiva militar. De outro, a pressão diplomática sobre o Ocidente para alcançar as demandas russas nas negociações.

A Ucrânia, por sua vez, demonstrou a disposição de fazer algumas concessões, como a possibilidade de realizar novas eleições, não entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e promover um referendo para discutir a questão territorial das regiões ocupadas pela Rússia. No entanto, a questão de como seria garantida a segurança da Ucrânia ainda é uma incógnita neste processo.

Nesta quarta-feira (24), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pela primeira vez divulgou detalhadamente os 20 pontos do plano de paz que estão sendo negociados com os EUA.

A versão atualizada do plano divulgado pela Ucrânia inclui, em particular, pontos como a reafirmação da soberania da Ucrânia; um acordo de não agressão entre a Rússia e a Ucrânia; garantias de segurança dos EUA e de países europeus, semelhantes ao Artigo 5 da Otan; efetivo das Forças Armadas da Ucrânia com 800 mil militares em tempos de paz; adesão da Ucrânia à União Europeia dentro de um prazo específico.

Alguns termos ainda são imprecisos, como a questão da disputa territorial, outros diferem frontalmente das exigências iniciais da Rússia, como a questão da referência ao Artigo 5 da Otan. Por outro lado, o documente reconhece a realização de eleições presidenciais e referendos para resolver questão territorial.

A atual posição ucraniana pode ser explicada por um dos principais fatores que mudaram a dinâmica em torno da guerra em 2025: a volta de Donald Trump ao poder e a retomada das negociações diretas com Vladimir Putin.

Se nos primeiros anos da guerra, Kiev contou com um apoio irrestrito do Ocidente, com uma injeção sem precedentes de ajuda militar e financeira, neste ano a Ucrânia encarou pela primeira vez um recuo do apoio da Casa Branca e uma União Europeia, a sua maior aliada hoje, acuada e sem conseguir se impor no processo de negociações.

Em entrevista ao Brasil de Fato, a pesquisadora de política russa e doutoranda em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP) Giovana Branco observa que a Ucrânia vive hoje um período de enfraquecimento, que está ligado à posição de Donald Trump em relação ao conflito.

Segundo ela, em termos discursivos, os dois lados mostram disposição para alcançar uma resolução da guerra, “mas, na prática, a gente tem observado a continuação das batalhas, em uma luta pela conquista de territórios”.

“Por um lado, a gente tem a Ucrânia, que tem agora mostrado um tipo de enfraquecimento relativo em relação ao que a gente tem observado nos últimos anos. Já que, apesar de manter o apoio europeu bastante vibrante, o apoio dos EUA tem sido de alguma forma bastante pendular, muitas vezes até pressionando os ucranianos para um acordo de paz que seria desvantajoso para a Ucrânia”, afirma a pesquisadora.

Assim, os avanços diplomáticos que aconteceram em 2025 esbarram nas profundas divergências que ainda não foram resolvidas entre Rússia e Ucrânia. E enquanto não houver uma solução política, Moscou já deixou claro que vai buscar resolver os seus objetivos através da via militar.

Para a pesquisadora Giovana Branco, o cenário é definitivamente mais positivo em termos de diálogo, mas ainda distante da paz. A analista lembra que aproximadamente 20% do território ucraniano já está sob controle russo, e Moscou exige o reconhecimento das regiões anexadas — Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhye — como parte do seu território.

“Apesar de tudo isso, a gente ainda está muito longe de uma paz concreta? Eu diria que a gente está um pouco mais próximo de tudo isso em relação aos últimos quase quatro anos do conflito, a gente tem visto algum tipo de manutenção do diálogo agora, mas ainda há muito caminho a percorrer para que de fato um cessar-fogo seja mantido”, completa.

Originalmente publicado em Brasil de Fato

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