Após derrota, presidente avalia recorrer ao STF e vê oportunidade de expor resistência dos mais ricos à taxação como estratégia política para 2026
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que não irá ceder à pressão do Congresso Nacional contra medidas que considera fundamentais para a promoção da justiça social. A informação foi publicada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, nesta quarta-feira (26).
Na avaliação do governo, a derrubada pelo Congresso, na última terça-feira (25), do decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) expôs não apenas uma disputa política, mas uma movimentação clara de setores econômicos com forte representação parlamentar, interessados em enfraquecer a capacidade de investimento do Executivo e abrir caminho para uma derrota de Lula nas eleições de 2026.Play Video
Contrariando expectativas de recuo, Lula decidiu avançar. Deu aval para que o governo estude a possibilidade de acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do Congresso. O Ministério da Fazenda já avalia juridicamente essa alternativa.
Segundo interlocutores que estiveram com o presidente após a derrota, ele se manteve sereno e até bem-humorado. Para Lula, o episódio abre uma oportunidade de aprofundar o debate público sobre a desigualdade social no Brasil e o papel da elite econômica na resistência a uma distribuição mais justa da carga tributária.
Lula considera que esse embate — ricos contra pobres — favorece a narrativa do PT e de seus aliados, pois evidencia as dificuldades enfrentadas pelo governo ao tentar cobrar mais de quem tem mais para custear políticas públicas que beneficiam a maioria da população.
O caso reforça uma tendência no governo: usar confrontos institucionais como plataformas para ampliar o apoio popular às suas agendas estruturantes. A aposta agora é transformar o revés parlamentar em catalisador de um debate nacional sobre justiça fiscal, um dos pilares do novo marco tributário em discussão.
Enquanto isso, o presidente reforça sua disposição de não se acuar diante de pressões e vê na disputa atual um terreno fértil para disputar corações e mentes no ciclo eleitoral que já se aproxima.
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