Celina Leão construiu sua candidatura vendendo continuidade. “Mais do mesmo que deu certo”, com verniz técnico de gestão responsável e discurso ideológico afinado com a direita bolsonarista. Funcionou enquanto o governo parecia sólido. O problema é que, quando o chão cede, continuidade deixa de ser promessa e vira âncora.
Hoje, Celina está no núcleo de um governo que caminha à beira de uma crise institucional grave. O escândalo envolvendo o BRB não é ruído político nem disputa narrativa. É dinheiro público em escala bilionária. A delação de Daniel Vorcaro colocou o governador Ibaneis Rocha diretamente nas tratativas da venda do Banco Master ao banco estatal. Não foi assessor, não foi terceiro, não foi burocracia. Foi o chefe do Executivo.
Os números explicam o estrago: risco de absorção de até R$ 12,2 bilhões em carteiras problemáticas por um banco público que, simultaneamente, injeta mais de R$ 150 milhões em patrocínio esportivo, flertando com os R$ 200 milhões.
Nesse contexto, não existe neutralidade possível. Celina Leão não está “presa” a esse governo. Ela faz parte dele. É vice-governadora, eleita na mesma chapa, beneficiária direta do projeto político que agora se aproxima de um ponto crítico. Quando o governador aparece cada vez mais cercado por investigações e delações, a vice não fica imune. Em política, proximidade não protege, compromete.
A tentativa de reforçar pautas ideológicas para manter a militância mobilizada esbarra num limite evidente: o eleitor que cobra moralidade não se satisfaz com discurso quando o governo parece caminhar perigosamente próximo de consequências penais. Como lembra o jornalista Hélio Rosa, até quem não pratica ética precisa fingir respeito a ela. O problema é quando o fingimento já não convence ninguém.
Em ano eleitoral, governo enfraquecido não transfere voto. Transfere desgaste. O Palácio do Buriti deixa de ser vitrine e passa a ser problema. E Celina, ao insistir na continuidade, assume também o custo político de um governo que hoje parece a dois passos da cadeia e um passo do colapso eleitoral.
✍️ Douglas Protázio
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