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Entenda a “guerra aberta” entre Paquistão e Talibã no Afeganistão

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Paquistão lançou bombardeios contra diversos pontos do Afeganistão após Talibã atacar posições paquistanesas na fronteira

A mensagem do ministro da Defesa do Paquistão foi dura, em um comunicado divulgado na rede social X na quinta-feira (26/2), Khawaja Asif declarou uma “guerra aberta” contra o Talibã, após bombardeios paquistaneses contra a capital do Afeganistão, Cabul.


O que está acontecendo?

  • A tensão entre Paquistão e Afeganistão dura décadas, e envolve disputas territoriais e acusações sobre refúgio a grupos terroristas.
  • Para o Paquistão, o governo do Talibã no Afeganistão dá suporte a organizações terroristas que frequentemente realizam ataques contra o território paquistanês, como o Tehrik-i-Taliban Pakistan (TPP).
  • Outro ponto de discordância entre os dois países diz respeito a reivindicações de ambas as partes sobre partes da fronteira, conhecida como Linha Durand.
  • Em setembro de 2025, Paquistão e Talibã voltaram a entrar em confrontos diretos depois da capital afegã, Cabul, ser bombardeada.
  • Depois da escalada de violência, um frágil cessar-fogo foi alcançado em outubro do último ano.

“Nossa paciência se esgotou. Agora teremos uma guerra aberta com vocês. Agora o fogo será um fósforo”, disse Asif em um trecho da mensagem.

O novo episódio de tensão na quinta-feira (26/2), após o Talibã lançar ataques contra contra posições paquistaneses na fronteira entre os dois países. De acordo com o grupo, soldados do Paquistão foram mortos durante a operação, que também resultou na tomada de controle de postos do país vizinho.

Dias antes, o Paquistão havia realizado uma nova rodada de bombardeios contra o território afegão. Mais de 100 terroristas ligados ao grupo Tehrik-i-Taliban Pakistan (TPP), popularmente conhecido como “Talibã paquistanês”, teriam morrido durante a ação, informaram autoridades paquistanesas. Alegações estas refutadas pelos governantes do Talibã, que relataram apenas vítimas civis nos ataques.

Por isso, o Talibã alegou que os ataques na fronteira com o Paquistão, na região conhecida como Linha Durand, eram respostas “à repetida rebelião e insurreição dos militares paquistaneses”.

Ataques

Depois da crise na fronteira, o Paquistão lançou bombardeios contra o território do Afeganistão. Segundo o porta-voz do Exército paquistanês, Ahmed Sharif Chaudhry, 22 alvos militares foram atacados, resultando na morte de 274 membros do Talibã.

O número é contestado pelo Afeganistão. De acordo com o Talibã, somente 13 membros do grupo foram mortos. O número de vítimas fatais calculado por Cabul ainda inclui 19 civis afegãos, e cerca de 55 soldados paquistaneses.

No ciclo sem fim de acusações, o governo paquistanês afirmou que a “guerra aberta” era uma resposta direta a agressão sofrida por soldados do Paquistão na região fronteiriça com o Afeganistão.

Como em outras ocasiões, o Paquistão acusou o Talibã de abrigar grupos terroristas no país, responsáveis por agressões contra o país. Entre eles está o TPP, apontado como responsável por diversos atentados contra o território paquistanês, como o ataque contra uma mesquita na capital Islamabade no início de fevereiro.

Talibã

Além das acusações sobre suporte a organizações terroristas e reivindicações territoriais, a aliança entre Índia e Talibã também entrou na mira de Islamabade.

De acordo com o Ministério da Defesa paquistanês, o grupo fundamentalista que controla o Afeganistão teria permitido que o país se tornasse um “instrumento da Índia” — o maior rival regional do Paquistão.

“O Paquistão fez todos os esforços para manter a situação normal, diretamente e por meio de países amigos. Diplomacia extensiva. Mas o Talibã tornou-se um instrumento da Índia”, disse Khawaja Asif.

Em meio as declarações de autoridades de Islamabade, o ministro do Interior afegão, Sirajuddin Haqqani, afirmou que o Talibã — que reforçou seu arsenal com os mais de US$ 7 bilhões de armas deixadas pelos Estados Unidos após a retirada de tropas do Afeganistão — está pronto para uma guerra com o país vizinho.

Com informações do Metrópoles

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