‘Ao assumir a presidência do STF, Fachin tenta redesenhar sua imagem. A história não pode ser apagada’, escreve Esmael Morais
O ministro Edson Fachin assumiu nesta segunda-feira (29) a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). A velha mídia e os oligarcas tentam pintar um retrato discreto, institucional, conciliador. Mas há um outro Fachin que não pode ser esquecido: o ministro que se comportou como carcereiro da Lava Jato e algoz de Lula, relator dos processos que sustentaram por anos o lawfare que sequestrou a democracia brasileira.
O Blog do Esmael acompanhou, diariamente, os sete anos da Lava Jato, de março de 2014 até seu ocaso em maio de 2021. Foram milhares de matérias que denunciaram o maior estelionato judicial já cometido no país. A operação, sob a batuta de procuradores de Curitiba e com apoio da grande mídia, buscou criminalizar a política e inviabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse enredo, Fachin teve papel central.
Basta recordar que, em julho de 2015, Deltan Dallagnol comemorou num grupo de procuradores: “Aha uhu o Fachin é nosso”. A frase sintetiza a captura de um ministro do STF, que deveria zelar pela Constituição, mas se alinhou aos desejos de uma força-tarefa que viria a ser desmascarada como fraude judicial. Fachin, no papel de relator, negou sucessivos pedidos de liberdade a Lula, avalizou abusos da República de Curitiba e reforçou um punitivismo que rasgou garantias constitucionais, como a presunção de inocência.
Essa atuação contradizia a biografia do jurista paranaense. Antes de chegar ao Supremo, Fachin era conhecido pela defesa dos direitos humanos, pela proximidade com movimentos sociais como o MST e pela militância em favor da função social da terra. Em 2010, liderou um grupo de juristas que apoiou Dilma Rousseff e assinou manifestos democráticos. Foi justamente Dilma quem o indicou ao STF, em 2015. Mas, ao assumir a relatoria da Lava Jato em 2017, após a morte de Teori Zavascki, Fachin virou a chave e adotou a toga de carcereiro, como denunciaram advogados e ministros garantistas.
O contraste entre o passado progressista e a adesão ao lavajatismo permanece sem explicação convincente. Para juristas como Eugênio Aragão e Ney Strozake, a guinada de Fachin está associada ao conluio entre Ministério Público, Judiciário e meios de comunicação que, a partir de 2013, passaram a ditar os rumos da política sem passar pelo voto popular. O ministro Marco Aurélio Mello, ainda em 2018, denunciou a violação da Constituição com a prisão de Lula após condenação em segunda instância, mas Fachin insistia na linha punitivista.
Ao assumir a presidência do STF, Fachin tenta redesenhar sua imagem. Promete autocontenção, defende distensão política e se apresenta como figura de equilíbrio. A velha mídia colabora nesse esforço de rebranding. Mas a história não pode ser apagada. Foram anos em que o ministro, ao lado da Lava Jato, ajudou a manter o país sequestrado por interesses antidemocráticos.
Em março último, o Blog do Esmael pediu entrevista a Fachin por e-mail. Nem resposta tivemos. A recusa a dialogar com a imprensa crítica também revela um estilo que, embora discreto, prefere o silêncio às explicações. O Estado Democrático de Direito exige memória. Não se trata de ressentimento, mas de registro histórico: o Fachin presidente do STF não apaga o Fachin carcereiro da Lava Jato.
Com informações do Brasil247
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