Por Anielle Franco e Marcelo Freixo*, especial para o blog
O ministro da Justiça Sergio Moro sempre dedicou ao assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) o seu absoluto silêncio e omissão. Ao longo de 600 dias, nunca manifestou solidariedade, procurou a família ou se pronunciou sobre o grave ataque que a execução de uma parlamentar representa à democracia. Quando questionado, dizia que não caberiam comentários a uma apuração realizada na esfera estadual.
Tudo mudou após os nomes de seu chefe Jair Bolsonaro e do vereador Carlos Bolsonaro aparecerem nas investigações sobre quem seria o mandante da execução. Moro passou da profunda indiferença à agressividade de um capanga. O ministro assumiu de vez o papel de advogado particular do clã presidencial.
A mudança de postura ficou evidente em entrevista à Rádio CBN. O ex-juiz classificou como “total disparate” a menção ao presidente e falou em politização do crime. Ora, quem politiza o assassinato é o ministro da Justiça, que não se constrange em usar o aparato policial do Estado brasileiro para intimidar um porteiro, homem humilde que mora numa área controlada por milícia, transformando uma testemunha em réu, para proteger a família Bolsonaro.
Moro também politiza o crime ao defender a federalização das investigações, que estão sob a responsabilidade da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, sem o devido embasamento técnico que sustente a mudança.
Para além da fragilidade jurídica, o posicionamento de Moro desrespeita a família de Marielle, que já manifestou publicamente ser contra a federalização. Os familiares redigiram uma carta aos ministros do STJ pela qual apresentam argumentos legais para que a investigação permaneça na esfera estadual. Estou me reunindo com ministros da corte para entregar esse documento e apresentar as preocupações dos parentes com essa tentativa de intervenção.
Se Moro quer de fato contribuir com o caso, ele pode descobrir onde está o capitão Adriano Nóbrega, miliciano e membro do Escritório do Crime, que está foragido. A esposa e a mãe do bandido, que é comparsa de Ronnie Lessa, eram assessoras do filho mais velho do presidente.
Em vez de federalizar esse crime, o ministro poderia federalizar o combate às milícias, como já sugeri no Congresso Nacional através de uma proposta de emenda à Constituição. Mas por que não o faz?
(Leia a íntegra do texto da pesquisadora Anielle Franco, mestra em jornalismo e inglês pela Universidade da Carolina do Norte e irmã de Marielle, e do deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), especial para o blog)
Marielle Franco (PSOL), vereadora assassinada em 14 de março de 2018 Por Anielle Franco e Marcelo Freixo*, especial para o blog O ministro da Justiça Sergio Moro sempre dedicou ao assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) o seu absoluto silêncio e omissão. Ao longo de 600 dias, nunca manifestou solidariedade, procurou a família ou se pronunciou sobre o grave ataque que a execução de uma parlamentar representa à democracia. Quando questionado, dizia que não caberiam comentários a uma apuração realizada na esfera estadual. Tudo mudou após os nomes de seu chefe Jair Bolsonaro e do vereador Carlos Bolsonaro aparecerem nas investigações sobre quem seria o mandante da execução. …
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