Horas antes de queimar na fogueira fascista, Ilona agradeceu Moro ‘por pensar em vozes plurais’. Por Kiko Nogueira

CASO ILONA SZABÓ: O MÍNIMO QUE MORO DEVERIA FAZER É PEDIR DEMISSÃO

Desautorizado, ministro ainda queimou cientista social que desconvidou

A refugada de Moro da nomeação de Ilona Szabó para o Conselho de Políticas Criminais e Penitenciárias é um vexame sob qualquer ângulo que se olhe.

A ordem veio do chefe Jair Bolsonaro, na onda das hostes olavistas que passaram os dois últimos dias “denunciando” o “globalismo”, a “social democracia” (é sério) e outras monstruosidades cientista política, uma “infiltrada”.

Nas redes, a hashtag “Moro Bunda Mole” pegou.

A nota do Ministério da Justiça é patética.

A revogação, lê-se, ocorreu por causa da “repercussão negativa em alguns segmentos”. 

Por “segmentos” entenda-se uma turba colérica e especializada em linchamentos virtuais e assassinatos de reputações.

Esqueça critérios técnicos.

O que vale é o pensamento único das hostes lideradas pelo Ermitão da Virgínia.

Moro pediu “escusas” a Ilona, mas o estrago está feito para a reputação de ambos.

O mínimo que Moro deveria fazer é pedir o chapéu.

Os erros são crassos em qualquer manual de gestão.

Primeiro, se não acertou a contratação com o superior.

Se acertou previamente com Jair e foi desautorizado depois, é pior.

Ilona está sendo queimada na fogueira fascista por causa de quem a convidou para trabalhar.

Defensora do controle de armas, fundadora de uma ONG, colunista de jornal, iria para um cargo figurativo.

Fundamentalistas descobriram artigos em que ela detona o “mito”, defende a descriminalização das drogas etc — tudo o que uma pessoa normal faz.

A pá de cal foi uma foto de 2015 de um convescote em que ela aparece juntamente com FHC e George Soros, o anticristo para essa cambada.

A pobre Ilona publicou uma nota elogiando Moro.

“Atuo há mais de 15 anos na área de segurança pública e política de drogas, e hoje dei mais um passo na minha trajetória ao aceitar o convite”, disse.

“Agradeço o gesto do ministro ao pensar em vozes plurais para o Conselho e em uma presença feminina. Será mais uma oportunidade de promover o diálogo com diferentes setores da sociedade”.

Não existe diálogo no fascismo.

Por isso vai cair de maduro e com estrondo, juntamente com quem manda e os paus mandados.

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