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Relatos de uma noite de terror: como os ataques dos EUA impactaram a população de Caracas

Fire at Fuerte Tiuna, Venezuela's largest military complex, is seen from a distance after a series of explosions in Caracas on January 3, 2026. The United States military was behind a series of strikes against the Venezuelan capital Caracas on Saturday, US media reported. The White House and Pentagon have not commented on the explosions and reports of aircraft over the city. US media outlets CBS News and Fox News reported unnamed Trump administration officials confirming that US forces were involved. (Photo by AFP)

Eram 2h da manhã no lado leste da capital venezuelana neste sábado (3) quando Maria Mendez se levantou da cama com um estrondo do lado de fora. Esses foram os primeiros barulhos do bombardeio estadunidense contra Caracas que levou ao sequestro do presidente Nicolás Maduro.

“Foi um barulho muito forte no centro de Caracas e perto dos locais que foram alvos. Foi possível ouvir de diferentes lugares da cidade. Quando eu me levantei ouvimos sibilos e mais explosões e nos demos conta do que estava acontecendo: os EUA estavam atacando”, afirmou ao Brasil de Fato.

O clima de terror se espalhou pela Venezuela ao longo da madrugada e da manhã. O comércio amanheceu fechado na maior cidade do país e aumentou a tensão entre os venezuelanos.

“Ficamos um tempo sem ter informações então foi extremamente angustiante, sem saber o que estava acontecendo. E a partir da declaração da vice-presidente Delcy Rodriguez passamos a ter mais informações”, disse.

Na região norte da capital, o professor Eduardo Cornejo também despertou com o sibilo dos foguetes que caíram sobre estruturas estratégicas e militares venezuelanas. Ele disse que foi possível ver uma parte considerável do bairro militar Forte Tiuna incendiada. O fogo iluminou a madrugada de Caracas e deixou os venezuelanos em estado de choque.

“Assustador. Acordamos desesperados com o barulho. As luzes e as sirenes remetem às cenas mais chocantes que acompanhamos em outros momentos históricos e isso deixou todos completamente atônitos. Eu me levantei e não sabia o que fazer com meus filhos”, disse.

O fogo e a fumaça que tomou conta de diferentes regiões da capital fez com que as autoridades se mobilizassem para tranquilizar a população. Ministros e deputados publicaram vídeos mostrando a “tranquilidade” das ruas depois do bombardeio.

Até as 10h, ainda era possível ver a fumaça dos bombardeios no céu, mesmo horas depois dos ataques. A resposta do governo também se deu nas ruas. Os serviços públicos não estão funcionando na capital neste sábado, especialmente os transportes. Estações de metrô estão fechadas e os ônibus não estão circulando. A maior parte do comércio não abriu nesta manhã.

As ruas também amanheceram mais militarizadas. Zonas próximas à áreas estratégicas como delegacias, hospitais e aeroportos contaram com o aumento de soldados e viaturas das forças de segurança. A estratégia era clara: proteger o que ainda não havia sido atacado.

A diplomacia brasileira que está em Caracas confirmou que ao menos 6 locais foram bombardeados:

O complexo militar do Forte Tiúna, em Caracas, sede do Ministério da Defesa e lugar onde vive Maduro; o Quartel de La Montaña, em Caracas, museu militar onde está o mausoléu do ex-presidente, Hugo Chávez; o porto e a base naval de La Guaira, nos arredores de Caracas; a estação de sinais de El Volcán, ao sul de Caracas; a base aérea de La Carlota, em Caracas; e o aeroporto de Higuerote, no estado de Miranda.

De acordo com o governo dos Estados Unidos, o presidente Nicolás Maduro foi sequestrado e agora será julgado em território estadunidense. A vice Delcy Rodriguez pediu informações e “provas de vida” tanto de Maduro quanto da primeira-dama, Cilia Flores.

Originalmente publicado em Brasil de Fato

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