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Febre pelas figurinhas da Copa conquista fãs de todas as idades

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Copa do Mundo empolga nova geração de torcedores em busca de completar o álbum com os jogadores de todas as seleções

No “Vai, Corinthians!”, dito de um modo todo gracioso, Nina, dois anos, já dá os primeiros passos rumo ao mundo da torcida que o irmão Luiz, 5, já domina. Agora, há pouco mais de mês da Copa do Mundo, ambos estão incentivados pelo pai, o analista de sistemas Luiz Machado, 39, para o que, desde sua infância, fez sua diversão: completar o álbum de figurinhas das seleções. Em clima de trocas, nos arredores da Banca do Brito (106 Norte), ponto consolidado em Brasília, foi dada uma popular pré-largada na torcida pelas seleções da Copa.

“O Luiz já assistiu a uma Copa, mas tinha um ano só: agora, ele entende mais. Então, me ajuda efetivamente nas trocas. Com a socialização, o pessoal acaba entrando mais no clima de Copa. Não se trata de necessariamente completar o álbum, principalmente,agora, com bem mais figurinhas: são 980, e, por um real cada, se torna valor considerável. Mas é pela diversão. Quando eu era moleque, eram bem menos figurinhas. Agora tem um monte especial e aí entra muito o apelo comercial. O que a gente pretende mesmo é fechar o time do Brasil, né?”, comenta o participativo pai. E, em campo, qual seria o ânimo. “Vamos torcer para o Brasil, num ano em que está difícil; torcida nunca nunca é de menos, né?”, completa.

Junto com artigos como moedas, cédulas e antiguidades, de interesse de colecionadores, as figurinhas da Copa do Mundo dão sustento para o comerciante Daniel Carmo, 34 anos, no que começou como hobby e virou profissão, desde 2014. Ele tem um banquinha itinerante. Controlar a clientela é uma das atenções. “A maioria é cuidadosa. Porém, vai que alguém amasse, sei lá, uma figurinha de 20 anos — é papel, é frágil”, salienta. Mesmo com as facilidades dos anúncios em internet, e um mercado paralelo de trocas, tradicionais brincadeiras de figurinhas, como jogar bafo, ainda vigoram. “Pela manhã, hoje mesmo vi uma criança brincando, batendo bafo na calçada. Minha clientela não é numerosa, mas é fiel. Há pouco, passou um senhor que colecionava desde a década de 74, e veio se atualizar para 2026. Toda a Copa tem essa febre, e a geração de colecionadores é renovada”, destaca.

Estrelas do esporte

Preciosidades figuram nas coleções: caminhando se vê curiosidades como várias fases de Cristiano Ronaldo, em todas as Copas disputadas. Um Romário, versão de 1994, descolado do álbum original, tem a imagem avaliada em R$ 50; já a figurinha original, sem ter sida colada em nenhum álbum antes, valeria algo como R$ 230. Daniel Carmo, com olho de especialista, atenta para as imagens extras, douradas, do Cristiano Ronaldo e do Lionel Messi, que tendem a ser as mais valorizadas, dado o clima de despedida de ambos. A expectativa de colecionistas se fixa em nomes como Lamine Yamal, Kylian Mbappé e Vinícius Júnior.

Outro centro tracional para as trocas está numa das praças do Terraço Shopping. E há quem frequente os dois lugares, caso de Henrique Gomes, 13. “Passei pela Banca do Brito, onde fiquei uns cinco minutos, comprei o álbum e 22 pacotinhos de figurinhas, deu uns R$ 144. Na minha escola, já tem uma galera colecionando, por ser meio que uma cultura. Gosto daqui (do shopping) para a gente conhecer novas pessoas, socializar”, avalia.

Davi Yamassaki, 14, do Ciman (Cruzeiro) também escolheu o shopping para agilizar as trocas. “É a minha terceira vez com álbuns, comecei em 2018. Tanto o daquele ano, como o de 2022, completei duas vezes, criança e assistindo aos jogos. Este ano, comecei a coleção há três dias. Praticamente, vira uma obsessão de completar. Dos pacotes, sempre é mais difícil de achar coisas do Brasil”, conta. A nostalgia já se instala, diante do hobby. “Acho massa trocar, colar as figurinhas, tipo é uma lembrança para a gente, no futuro, a gente olha lá o álbum: ‘Caraca! Formei esse álbum quando eu tinha 14 anos, e tal. Quem me estimulou foi meu pai, Marcelo, ele não obrigava a gostar de futebol, só falava: “Ó, o álbum aí para você! E entregava. Foi até um jeito de eu aprender a contar os números. É um negócio legal esse lance das figurinhas.”

Rafaela Carvalho,14 anos, conta que colecionar é uma tradição na família. “Tenho álbuns de 2014, 2018 e 2022. Lembro, eu pequenininha e meu irmão Marcelo convocando. Agora, ele tem 29 anos, e estamos formando este álbum. Na escola, fui a primeira da sala a demonstrar o interesse. Dá para ver que o futebol masculino tem mais relevância, mais visibilidade. Você não encontra tanta menina colecionando.Eu já tenho 50 pacotes comprados.”

Rafaela percebe que é um hobby que amplia conhecimento e interesse por outros países. “Com as figurinhas de 2022, conheci uns 10 países, pelo menos, e, de repente, veio o interesse pelas culturas também”

O dono da banca Brito, na 106 Norte, José Gonçalves conta que jovens e cada vez mais meninas têm interesse pelo álbum da Copa. “É impressionante como tenho visto jovens e meninas atrás das figurinhas. Ontem chegou uma turma de umas oito adolescentes, todas elas, cada uma, compraram álbum e figurinhas. Vinham do Colégio Marista, do Colégio Militar. Tem a tradição na coleção: a gente faz um álbum e guarda, e vira e mexe, pega para dar uma olhadinha ali, com os jogadores guardados.”

Gustavo Vital,15 anos, estudante do Sigma, está há três dias empolgado com a troca de figurinhas. “Comprei uns 20 pacotes. Estou muito animado para fazer esse álbum, porque prometi para a minha mãe que esse será o último. Na escola, já estão jogando bafo, trocando muito”, conta.

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