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Variante esportiva do pole dance passa a ser contemplada pelo Bolsa Atleta de Pernambuco

Jovem esporte vem conquistando reconhecimento para Pernambuco no cenário nacional, contemplado em edital de incentivo

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Pela primeira vez, o pole sports, modalidade surgida em 2009 como vertente esportiva e competitiva do pole dance, teve atletas selecionadas pelo programa Bolsa Atleta, edital de incentivo do Governo de Pernambuco e executado pela Secretaria de Esportes. Jacqueline Colares, uma das pioneiras da atividade no estado, com títulos nacionais e passagens pelo campeonato mundial; e Emanuela Bezerra Jessé, praticante há uma década do esporte e com um ouro nacional na bagagem, foram contempladas com as bolsas. 

A bolsa, além do auxílio financeiro para garantir uma rotina de treinos e competições, também é um passo para o reconhecimento e expansão do jovem esporte em Pernambuco. São 17 anos desde a estruturação da modalidade, com a criação da Federação Internacional de Pole Sport (IPSF), e apenas 11 desde o começo de sua prática no Brasil. A atividade envolve coreografias e acrobacias em barras fixas ou giratórias, avaliadas por meio de um sistema de pontuação. Ela se divide em quatro categorias: intro, amador, profissional e elite.

Além de atleta, treinadora com duas escolas na capital pernambucana, Jacqueline Colares começou sua caminhada há 16 anos, quando se interessou pelo pole dance artístico, mas não encontrava onde praticar no Recife. Decidiu estudar a atividade de forma autodidata, passando também a se certificar e dar aulas. Quando o pole sports chega ao Brasil, em 2015, com sua primeira competição nacional, esteve presente como treinadora de dois atletas e, desde então, vem trilhando caminhos vitoriosos na modalidade. 

“Quando se fala em pole, a primeira coisa que se pensa é na vertente sensual, que é a origem e é mais divulgada pela mídia. A nossa prática é de uma outra perspectiva, uma vertente que é artística e esportiva. Os campeonatos são algo muito sério, regido por um código de pontos, movimentações que exigem força e flexibilidade”, explica Colares. A prática é feita com top e short, permitindo a necessária aderência da pele à barra para a execução das acrobacias. Movimentações de conotação sensual não são permitidas. “Existe a arte dentro da prática esportiva, mas é uma arte diferente, com uma outra roupagem”, complementa a atleta e treinadora. 

É da escola de Jacqueline que vem a segunda contemplada pelo Bolsa Atleta. Emanuela Bezerra Jessé começou a prática do pole há 10 anos, quando buscava uma atividade física que envolvesse força e flexibilidade, mas que fugisse do engessamento das academias de musculação e também conciliasse com seu interesse pela dança. Começou pela vertente artística e foi convidada por Jacqueline para a prática desportiva. Hoje, possui um ouro nacional na categoria profissional e fará sua estreia na categoria elite neste ano. 

A seleção para o Bolsa Atleta, dentro da categoria “Atleta Nacional”, garante um benefício financeiro mensal de R$ 760 para cada, recurso que auxilia nos preparos para as competições, divididos também com a rotina de trabalho fora da vida esportiva. “Eu trabalho como arquiteta, então só tenho a noite e os fins de semana para treinar. Mas não treinamos apenas por treinar: queremos ganhar e isso tem custos. São figurinos, inscrições em campeonatos, hospedagens, passagens e qualificação em outras áreas, como teatro e dança contemporânea”, explica Bezerra Jessé. 

Além do incentivo financeiro, o reconhecimento pelo Bolsa Atleta também carrega o capital simbólico do reconhecimento institucional da modalidade, que pode estimular a expansão do esporte em Pernambuco. “Ser contemplada também tem esse lado do reconhecimento a nível governamental. Ajuda a trazer uma outra perspectiva ao pole. Traz também uma importante visibilidade que pode abrir portas para o surgimento de novos atletas”, analisa Colares. 

Para a Secretaria de Esportes, a entrada de modalidades como o pole sports no escopo do Bolsa Atleta pode ser encarada como uma ferramenta de política pública para fortalecer a diversidade dos esportes em um momento de transformações.

“Ao contemplar atividades que ainda buscam maior reconhecimento, o programa contribui para legitimar essas práticas como modalidades esportivas, considerando critérios técnicos como organização federativa, realização de competições e nível de desempenho dos atletas. Além disso, garante que atletas dessas modalidades tenham acesso às mesmas oportunidades de incentivo, desenvolvimento e permanência no esporte”, afirma Mateus Lima, superintendente de Esporte de Base e Alto Rendimento da Secretaria de Esportes.

*Conteúdo originalmente publicado no Brasil de Fato

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