Anistia emperra no Congresso e aliados de Bolsonaro buscam prisão domiciliar

Aliados mantêm a retórica da anistia ampla, mas estratégia real mira pressão sobre STF para conceder regime domiciliar ao ex-mandatário

A proposta de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 perdeu força no Congresso, mas o tema continua sendo defendido pelos aliados de Jair Bolsonaro (PL) – condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. O objetivo, segundo observadores, é menos a aprovação de um indulto amplo e mais a construção de um cenário político que favoreça a concessão de prisão domiciliar ao ex-mandatário.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a defesa de Bolsonaro busca amparo em precedentes recentes, como o do ex-presidente Fernando Collor. Em maio, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a chamada “prisão domiciliar humanitária” para Collor, condenado a quase nove anos de reclusão, após a comprovação de doenças graves. Os advogados de Bolsonaro pretendem usar esse argumento, alegando que seu estado de saúde exige medidas semelhantes.

Anistia perde força no Congresso

No Legislativo, o clima político é adverso para a aprovação de uma anistia ampla. O relator do projeto, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), admitiu que não há ambiente para votar uma proposta dessa dimensão. Como alternativa, tenta emplacar uma redução de penas para os envolvidos no 8 de janeiro.

“Antes de qualquer coisa é preciso pacificar a relação com o Senado”, afirmou Paulinho ao Estadão, citando a tensão após a derrubada da chamada PEC da Blindagem, que ampliou o desgaste entre Câmara e Senado.

Precedente de Collor embasa defesa

A defesa de Bolsonaro aposta no precedente criado pelo STF em relação a Collor para pleitear a prisão domiciliar. Entretanto, ministros ouvidos reservadamente indicam que, embora a hipótese não esteja descartada, ela não deve ocorrer de imediato. A avaliação é de que Bolsonaro precisa cumprir parte da pena em regime fechado antes de qualquer flexibilização.

STF adota postura de resistência

Além da resistência interna, fatores externos pesam contra Bolsonaro. A ofensiva internacional do governo de Donald Trump, que incluiu sanções financeiras contra Moraes e sua esposa, acabou fragilizando ainda mais o diálogo entre o bolsonarismo e o STF. Interlocutores avaliam que as movimentações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos Estados Unidos, prejudicaram ainda mais o pai.

Divisão entre Câmara e Senado

Enquanto isso, as relações entre Câmara e Senado continuam tensas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já sinalizou que não pretende pautar projetos de anistia. Questionado sobre a redução de penas, afirmou que poderá apresentar uma proposta futuramente, mas não no momento, para evitar contaminação da pauta legislativa.

Pressão política e ameaças do PL

Mesmo diante da falta de apoio, os líderes do PL mantêm o discurso duro. “É tudo ou nada. Não queremos anistia pela metade”, afirmou o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), ameaçando obstruir votações caso a pauta não avance.

O Centrão, no entanto, resiste. “Ninguém vai se expor para votar isso aqui na Câmara depois do que aconteceu”, disse o deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA), em referência ao desgaste da PEC da Blindagem.

Perda de interlocução com o Supremo

A interlocução do grupo bolsonarista com o STF também foi afetada pelos ataques do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que chamou Moraes de “tirano” e “ditador”. 

Embora Tarcísio negue que sua postura tenha como meta agradar Bolsonaro e garantir apoio para uma eventual candidatura presidencial em 2026, há desconfiança até entre seus aliados sobre sua estratégia. O governador afirma publicamente que buscará apenas a reeleição em São Paulo.

Com informações do Brasil247

Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

  • Nova pesquisa Datafolha atualiza cenário da disputa presidencial após início da campanha

    Nova pesquisa Datafolha atualiza cenário da disputa presidencial após início da campanha

    Levantamento nacional foi realizado após o início oficial da campanha eleitoral e inclui, pela primeira vez, Pablo Marçal entre os candidatos testados. O cenário da disputa pela Presidência da República será atualizado nesta sexta-feira (21) com a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha. O levantamento foi realizado após o início oficial da campanha eleitoral e…


  • Caso Dark Horse chega a 100 dias sem contratos divulgados e com investigação ainda no início

    Caso Dark Horse chega a 100 dias sem contratos divulgados e com investigação ainda no início

    Flávio Bolsonaro havia prometido tornar públicos os documentos sobre o financiamento do filme, mas a prestação de contas continua incompleta enquanto a investigação da Polícia Federal avança lentamente. O caso envolvendo o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, completa 100 dias nesta sexta-feira (21) sem que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha…


  • Mendonça determina investigação sobre vazamento de informações sigilosas no caso Lulinha

    Mendonça determina investigação sobre vazamento de informações sigilosas no caso Lulinha

    Ministro do STF manda Polícia Federal apurar como dados protegidos por sigilo chegaram à imprensa durante investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (21) que a Polícia Federal investigue a origem de informações sigilosas relacionadas aos inquéritos que…


Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar:

Mais Notícias