Pela primeira vez no Brasil, as mulheres poderão participar da Seleção Complementar do Alistamento Militar Inicial, do Exército, que acontece nesta quarta-feira (4). Trata-se de mais um passo importante para ampliar a participação feminina em diferentes espaços e garantir mais igualdade e diversidade nas Forças Armadas.
Segundo dados do governo brasileiro, mais de 33 mil jovens se alistaram no ano de 2025 em todo o país. Para a fase de seleção complementar, mais de 260 mil candidatos, homens e mulheres, foram convocados. Somente em Brasília, mais de 900 jovens do sexo feminino foram chamadas a participar dessa fase. Ao todo, 1.010 mulheres serão incorporadas no Exército, sendo 182 na capital federal.
“Vejo com muita alegria e com muito orgulho esse passo histórico: o Exército brasileiro incorporando mulheres no serviço militar. Isso não é apenas uma medida administrativa, é resultado de luta, de visão de futuro e de construção política”, explica Perpétua Almeida, ex-deputada do PCdoB-AC, que teve na Defesa uma de suas principais frentes de atuação. Hoje, ela dirige a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.
Um importante marco na abertura desse espaço às brasileiras veio de outra comunista: a ex-senadora do Amazonas, Vanessa Grazziotin, que apresentou projeto propondo o alistamento voluntário de mulheres nas Forças Armadas ainda em 2015. A matéria chegou a ser aprovada em comissões da Casa, porém foi arquivada em 2022 devido ao encerramento da legislatura.
A mudança proposta pelo governo Lula e concretizada em decreto de agosto de 2024 resulta, portanto, de uma longa jornada de lutas das mulheres por igualdade.
“As mulheres estão chegando por mérito, por preparo e também por justiça. E a presença feminina agrega disciplina, competência técnica, equilíbrio emocional, capacidade de liderança e um olhar complementar fundamental para fortalecer a missão do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Isso é diversidade? Sim, mas é, sobretudo, modernização, soberania e fortalecimento das instituições de Defesa do Brasil”, opina Perpétua.
Seleção
Assim como os candidatos do sexo masculino, na seleção desta quarta-feira as candidatas passarão por revisão médica e odontológica, exames e avaliações de habilidades específicas, além de entrevista individual. Os jovens considerados aptos serão incorporados em março, quando terão início as atividades de formação militar.
De acordo com o decreto de 2024, a apresentação voluntária de mulheres pode ser feita no período de janeiro a junho do ano em que elas alcançam a maioridade. Antes, só podiam ingressar nas Forças Armadas as profissionais admitidas nos cursos de formação de suboficiais e de oficiais.
Com a mudança, após o alistamento voluntário, as mulheres passam pelas etapas de seleção e incorporação, que começa com um ato oficial e termina com a conclusão de um curso de instrução para o exercício das funções gerais básicas.
As selecionadas serão incorporadas de acordo com as necessidades das Forças Armadas e o período de serviço militar inicial, com duração de 12 meses, pode ser prorrogado de acordo com critérios definidos pelas Forças Armadas.
Com informações do Vermelho
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