O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, será apresentado nesta segunda-feira (5), à Justiça dos Estados Unidos, em uma audiência marcada para o início da tarde em Manhattan. Ele e sua esposa, a congressista Cilia Flores, comparecerão diante do juiz federal Alvin K. Hellerstein, no Tribunal Distrital do Sul de Nova York, após terem sido levados ao sistema judiciário norte-americano em meio a uma operação militar que provocou forte repercussão internacional.
De acordo com a agência Prensa Latina, um porta-voz do tribunal informou que a audiência está prevista para as 12h, no horário local. Desde a noite de sábado, Maduro e Cilia Flores estão detidos no Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn, uma prisão federal de segurança máxima. Esta será a primeira vez que ambos se apresentam formalmente à Justiça dos Estados Unidos, apenas 48 horas depois de o governo norte-americano anunciar o sequestro do líder venezuelano.
O processo judicial é resultado da construção de um caso que tem como objetivo promover uma mudança de regime na Venezuela e viabilizar o controle das reservas de petróleo do país sul-americano, tema já mencionado publicamente por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. A operação que levou à prisão de Maduro incluiu bombardeios contra alvos em diferentes regiões do território venezuelano.
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, divulgou uma declaração conjunta no X com o Departamento de Justiça, o FBI e a Administração de Combate às Drogas (DEA) sobre a ação. Segundo ela, a operação demandou meses de preparação e teve como finalidade “garantir a transferência segura dos acusados para o país para que respondam às acusações federais contra eles”. Bondi acrescentou que “todas as opções legais foram exploradas para resolver a situação pacificamente”, mas atribuiu o desfecho à “persistência na conduta criminosa” do acusado.
Organizações pacifistas reagiram duramente à ação. A coalizão Answer alertou que, após semanas de ameaças de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, sobre uma possível invasão terrestre da Venezuela, a ofensiva militar acabou se concretizando. Para o grupo, o episódio pode marcar o início de mais uma guerra “baseada inteiramente em mentiras”. A entidade sustenta que a operação não tem relação com o combate ao narcotráfico ou a defesa da democracia, mas com o interesse no petróleo venezuelano e a tentativa de impor a dominação dos Estados Unidos sobre a América Latina.
Pouco antes das 17h de sábado, no horário local, o avião que transportava Nicolás Maduro pousou em uma base militar em Nova York. Imagens exibidas pela televisão local mostraram o presidente desembarcando sob forte esquema de segurança, encapuzado, com dificuldades para caminhar e aparentemente algemado.
No fim de semana, protestos contra a guerra e em apoio à Venezuela foram registrados em várias cidades dos Estados Unidos, incluindo Washington. No domingo, uma grande manifestação ocorreu em frente ao Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, onde Maduro e Cilia Flores seguem detidos. Os manifestantes exigiram que Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, ponha fim aos golpes de Estado, ao intervencionismo norte-americano e ao que classificam como o sequestro do presidente de uma nação soberana.
Ainda segundo dados citados na cobertura, pesquisas indicam que 70% da população dos Estados Unidos é contrária a uma ação militar contra a Venezuela, sinalizando um amplo repúdio interno à escalada do conflito envolvendo o país sul-americano.
Originalmente publicado em Brasil247
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