O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia a possibilidade de procurar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar da conjuntura política na Venezuela, informa a CNN Brasil. A iniciativa, segundo informações de bastidores, faz parte de uma estratégia do governo brasileiro de se apresentar como facilitador de um diálogo entre Washington e Caracas em um momento de incertezas no país vizinho.
A avaliação interna é de que Brasil e Estados Unidos compartilham interesses convergentes na região, especialmente no que diz respeito à estabilidade política e institucional da Venezuela. Lula já havia manifestado publicamente, por meio de nota, sua disposição de contribuir para conversas entre os dois países.
No governo brasileiro, discute-se agora se há espaço político para um telefonema direto entre Lula e Trump. A leitura feita por autoridades do Planalto e do Itamaraty é que a manutenção da estabilidade venezuelana é considerada estratégica também para os Estados Unidos. Um eventual vácuo de poder em Caracas poderia abrir espaço para conflitos civis, disputas entre facções e agravamento da crise econômica, com impactos regionais relevantes.
Segundo essa avaliação, um cenário de instabilidade exporia dificuldades de planejamento da administração norte-americana em relação ao chamado “dia seguinte” à queda do governo venezuelano, além de comprometer projetos de suposta ‘reconstrução’ do país. Por isso, a atuação de atores regionais com capacidade de interlocução é vista como um fator relevante.
Embora a relação entre o governo brasileiro e Caracas tenha passado por tensões desde a última eleição presidencial venezuelana, quando o Brasil condicionou o reconhecimento do resultado à divulgação das atas eleitorais, Lula é apontado por auxiliares como um dos chefes de Estado com maior capacidade de diálogo com o governo venezuelano na América Latina. O presidente brasileiro acumula experiência política na relação com o chavismo e conhece de perto a dinâmica da esquerda no país vizinho.
Ao mesmo tempo, Lula mantém um canal direto de comunicação com Donald Trump, o que, na avaliação de seus auxiliares, reforça seu papel potencial como interlocutor em um momento sensível. Essa combinação de relações é vista no Planalto como um ativo diplomático do Brasil.
No último sábado (3), Lula telefonou para Delcy Rodríguez, que ocupava a vice-presidência e assumiu interinamente o comando do país após o sequestro de Nicolás Maduro por forças de segurança dos Estados Unidos. Na conversa, o presidente brasileiro buscou informações sobre as circunstâncias da prisão, o processo de substituição no cargo e o quadro político interno, além de reiterar a disposição do Brasil em colaborar com a Venezuela.
Originalmente publicado em Brasil247
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