O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, avaliou nesta quarta-feira que há condições políticas para a aprovação do fim da jornada de trabalho no modelo 6×1 mesmo em um ano eleitoral. Segundo ele, a mudança, apesar de seu impacto relevante no mercado de trabalho, pode avançar no Congresso Nacional se houver engajamento da sociedade para pressionar parlamentares e empresários. A declaração foi feita durante participação no programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Durante a entrevista, Marinho destacou que, ao contrário do que muitos consideram um obstáculo, o calendário eleitoral pode representar uma oportunidade para o debate sobre a escala de trabalho. “Se é possível no calendário do ano eleitoral você aprovar uma medida tão importante como essa e com forte impacto no mercado de trabalho e no ambiente do mercado de trabalho? Sim, isso é plenamente possível. Muita gente vê como uma contradição, eu vejo como uma possível oportunidade”, afirmou.
O ministro classificou a escala 6×1 como a mais prejudicial aos trabalhadores e reiterou que o tema está entre as prioridades do governo federal. Para ele, no entanto, o avanço da proposta depende diretamente da mobilização social. “Eu chamo a atenção disso porque a efetiva participação da sociedade é um motor necessário, importante no processo de convencimento a cada deputado e deputada, a cada senador e senadora e ao empresariado também”, declarou.
Marinho reforçou ainda que a mudança na jornada não inviabilizaria a atividade econômica. “É plenamente possível fazer, é plenamente possível dizer a toda a atividade econômica do Brasil que é possível você acabar com a seis por um, mantendo as necessidades econômicas do país”, disse.
Além do debate sobre a jornada de trabalho, o ministro afirmou que o Congresso Nacional reúne condições para votar, ainda no primeiro semestre, a regulamentação do trabalho por aplicativos. “Tem todo um acúmulo de debate e tem todas as condições do Congresso Nacional debruçar sobre esse assunto agora, no primeiro semestre, e aprovar a regulação dos trabalhos por aplicativos, que eu acho que seria muito bem-vindo”, afirmou.
Sobre o transporte de passageiros por motocicletas, Marinho demonstrou preocupação com a segurança viária em grandes centros urbanos. “Eu, pessoalmente, acho muito arriscado, em cidades com a complexidade da cidade de São Paulo, autorizar mototáxi, transporte de pessoas por moto. Isso é comprovadamente um assustador da quantidade de acidentes”, disse.
No campo político, o ministro descartou qualquer candidatura em 2026 e afirmou que permanecerá no cargo até o fim do mandato presidencial, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O presidente pediu para eu ficar no governo. Portanto, não serei candidato a deputado federal este ano. Sou deputado federal licenciado para cumprir o papel de ministro, e continuarei no governo. Portanto, não serei candidato”, afirmou.
Luiz Marinho é deputado federal eleito por São Paulo. Segundo ele, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, Moisés Selerges Júnior, é o pré-candidato da categoria ao cargo neste ano.
Originalmente publicado em Brasil247
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