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Lula deve contestar presença militar dos EUA no Caribe durante cúpula latino-europeia

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Encontro Celac-UE discutirá segurança regional e combate ao crime organizado, com o Brasil defendendo soberania latino-americana

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa neste domingo (9) da quarta Cúpula entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União Europeia, em Santa Marta, na Colômbia. O encontro ocorre em meio à crescente presença militar dos Estados Unidos nas águas do Caribe, tema que promete dominar as discussões sobre segurança regional e crime organizado.

De acordo com o jornal O Globo, os líderes latino-americanos e europeus buscam consenso sobre dois pontos delicados na declaração final da reunião. De um lado, países da América Latina, entre eles o Brasil, defendem menções à presença militar norte-americana na região; de outro, a União Europeia insiste em incluir uma condenação explícita aos ataques da Rússia contra a Ucrânia.

Brasil rejeita enquadrar facções como terroristas

A expectativa é que Lula reforce a posição brasileira de não classificar facções criminosas nacionais, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas — proposta apoiada por Washington e já adotada por Argentina e Paraguai. O presidente deve reafirmar que o enfrentamento ao crime organizado deve ocorrer sem interferências externas, com base na cooperação regional e no respeito à soberania dos países.

A legislação brasileira define terrorismo como ato motivado por razões ideológicas, políticas, religiosas ou raciais, o que, segundo o governo, não se aplica às facções, voltadas unicamente ao lucro ilícito. Para Lula, misturar crime organizado e terrorismo abre espaço para intervenções militares indevidas sob o pretexto de segurança.

Conflito no Caribe e pressões geopolíticas

A justificativa americana para os recentes ataques a embarcações venezuelanas é o combate ao narcotráfico — argumento que o governo brasileiro considera frágil e politicamente motivado. Em Brasília, a avaliação é de que a operação integra uma estratégia de pressão sobre governos latino-americanos e caribenhos, reforçando o isolamento do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

O cenário se torna ainda mais complexo com a tentativa da União Europeia de trazer o conflito na Ucrânia para a pauta. Lula, no entanto, pretende defender uma postura equilibrada, focada no diálogo e na paz, sem apontar culpados — em linha com a posição brasileira nos BRICS e nas discussões internacionais.

Baixa presença europeia e tensões diplomáticas

Na véspera do evento, a Comissão Europeia confirmou que a presidente Ursula von der Leyen não participará da cúpula, alegando sobrecarga de compromissos e adesão limitada de chefes de Estado. Em nota, a Comissão afirmou que Von der Leyen “permanece comprometida com o fortalecimento das relações entre a UE e a Celac”, delegando a representação à vice-presidente Kaja Kallas.

Entre os pontos previstos no documento final estão cooperação ambiental, segurança energética, combate à criminalidade transnacional, comércio, educação e pesquisa — além da defesa de uma nova arquitetura financeira internacional.

O encontro ocorre sob forte expectativa política: Lula deve usar o palco latino-europeu para reafirmar a autonomia regional diante da crescente influência militar norte-americana no Caribe.

Fonte: brasil247

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