Governo reforça expectativas para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre e cobra que nações invistam
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera como uma conquista os compromissos financeiros anunciados durante a abertura da Cúpula dos Líderes sobre o Clima — realizada nesta quinta-feira (6) e que antecede a COP30 — e agora volta o foco para a captação de mais recursos dos países ricos para o fundo florestal, segundo o Metrópoles.
A meta do Executivo é tornar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) o grande legado ambiental do Brasil na COP30. O presidente Lula participa, na manhã desta sexta-feira (7), de diversos encontros bilaterais, entre eles com o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, que sinalizou aporte para o fundo. Outras nações – como Bélgica, Canadá, China, Dinamarca, Emirados Árabes, Finlândia, Irlanda e Japão – manifestaram intenção de colaborar, ainda sem detalhar valores.
Durante o evento, o Brasil já anunciou aportes relevantes: US$ 3 bilhões da Noruega, US$ 577 milhões da França e US$ 1,3 milhão de Portugal, além de promessas de R$ 1 bilhão tanto do Brasil quanto da Indonésia. Com isso, o montante prometido ao TFFF chegou a US$ 5,5 bilhões. No entanto, segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o valor exato do saldo esperado será fechado ainda nesta sexta.
Apesar do otimismo, há ressalvas no governo: tanto o compromisso norueguês quanto o francês não serão entregues de imediato — o aporte da Noruega, por exemplo, será investido ao longo de dez anos. Isso reforça a preocupação de que os países ricos anunciando apoio não se empenhem na entrega rápida dos recursos contratados.
O TFFF foi concebido como mecanismo de remuneração para países em desenvolvimento que preservem florestas tropicais, consideradas vitais para mitigar a crise climática. A ideia central do governo Lula é que o fundo se torne um instrumento robusto — com perfil de baixo risco, gerido pelo Banco Mundial — capaz de captar US$ 25 bilhões de países investidores e US$ 75 bilhões do setor privado nos anos seguintes.
Segundo o governo, a proposta prevê compensação de US$ 4 por hectare preservado. O fundo funcionaria como uma reserva de investimento: os países que aportarem teriam direito de resgate, e o financiamento se daria a partir dos rendimentos gerados. Se bem operacionalizado, o mecanismo poderia garantir US$ 4 bilhões anuais para conservação ambiental.
Para o presidente Lula, a iniciativa sinaliza uma mudança de paradigma no protagonismo dos países do Sul global na agenda florestal: “Pela primeira vez na história, os países do Sul global terão um protagonismo em uma agenda de florestas. […] Elas retêm carbono, garantem fluxos hídricos e protegem a biodiversidade. Sem elas não temos água para beber nem para plantar. Quando a destruição das florestas atingir pontos irreversíveis, será sentido nos quatro cantos do mundo”, declarou Lula ao lançar o TFFF.
A avaliação do governo é que muitos líderes que vieram à Cúpula dos Líderes sobre o Clima já estavam preparados para anunciar aportes — e que faria pouco sentido que os anúncios fossem feitos posteriormente, por representantes de nível inferior. Por isso, a expectativa é que nesta sexta os compromissos sejam formalizados por chefes de Estado ou de governo em pessoa.
Além disso, o Palácio do Planalto projetos para que a próxima janela de aporte seja durante a Cúpula do Mercosul, marcada para dezembro, quando também deverá ser debatido o acordo comercial entre o União Europeia e o Mercado Comum do Sul (Mercosul). Essa articulação sinaliza o entrelaçamento de agendas ambientais e comerciais pela diplomacia brasileira.
Fonte: brasil247
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