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Grupo Pão de Açúcar pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas

Varejista busca reorganizar passivo financeiro enquanto mantém operações, fornecedores e salários preservados

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O Grupo Pão de Açúcar (GPA) protocolou um pedido de recuperação extrajudicial com o objetivo de renegociar aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas classificadas como não operacionais. A iniciativa ocorre após a companhia registrar prejuízos consecutivos e alertar para incertezas quanto à continuidade de seus negócios. O pedido foi apresentado na madrugada desta terça-feira (10) e prevê a suspensão por 90 dias de execuções de dívidas e do pagamento de juros relacionados a esse passivo, informa o NeoFeed.

A decisão foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração do GPA e integra um plano mais amplo de reorganização conduzido pelo CEO Alexandre Santoro, que assumiu o comando da varejista há cerca de dois meses. O executivo afirma que o processo busca criar condições para que a empresa avance em uma reestruturação financeira sem comprometer o funcionamento das operações.

Segundo Santoro, o plano de recuperação extrajudicial não interfere no funcionamento das lojas nem nos compromissos com fornecedores e funcionários. “O pedido de recuperação extrajudicial não afetará os pagamentos aos fornecedores. Ele tampouco envolve o aluguel de loja, nem os salários dos colaboradores”, afirmou. O executivo acrescentou que a modalidade extrajudicial permite separar a renegociação financeira da rotina operacional da empresa. “A extrajudicial é uma alternativa que consegue isolar com clareza o dia a dia, além de dar celeridade para resolver o problema”.

O CEO também destacou que a reestruturação financeira faz parte de um conjunto de medidas estratégicas para fortalecer a companhia. “Parte do meu mandato é aumentar a eficiência operacional da companhia, que gera caixa operacional e tem muita oportunidade”, declarou Santoro. “A outra parte é resolver questões estruturais. Uma delas é a dívida financeira”.

A proposta de recuperação conta inicialmente com credores que representam cerca de 46% do total da dívida não operacional, muitos deles bancos. Segundo apuração do NeoFeed, instituições como Itaú, HSBC, Rabobank e BTG Pactual apoiam a iniciativa. A aprovação também recebeu respaldo dos principais acionistas do GPA: o Grupo Coelho Diniz, com 24,6% de participação; o Casino, com 22,5%; e o investidor Silvio Tini, que reúne aproximadamente 16,1% das ações.

Durante o período de 90 dias de suspensão das cobranças, a companhia buscará adesão de outros credores para alcançar o mínimo de 50% exigido para avançar com o plano de reestruturação. Nesse intervalo, o GPA pretende negociar as condições financeiras do acordo, que ainda estão em fase inicial de discussão. Para apoiar o processo, a empresa contratou o escritório Munhoz Advogados, especializado em reestruturação empresarial.

O diretor financeiro e de relações com investidores do GPA, Pedro Albuquerque, afirmou que os termos da renegociação ainda estão sendo avaliados. “Não tem nada definido [dos termos da reestruturação], estamos no campo das ideias, com algumas discussões sobre o que faz sentido.”

O movimento ocorre em meio a pressões sobre o caixa da companhia. Nos próximos 12 meses, o GPA possui cerca de R$ 1,7 bilhão em dívidas com vencimento. Ao final de 2025, o fluxo de caixa operacional após variações de capital de giro atingiu R$ 1,3 bilhão, crescimento de 37,8%. Ainda assim, o balanço do quarto trimestre do ano passado trouxe um alerta sobre a existência de incerteza relevante quanto à continuidade operacional do grupo.

A companhia encerrou 2025 com déficit de capital circulante líquido de aproximadamente R$ 1,22 bilhão e prejuízo anual de R$ 651 milhões, resultado 61% menor que o registrado no ano anterior. No mesmo período, a alavancagem financeira aumentou de 1,6 vez para 2,4 vezes. Além disso, o GPA enfrenta cerca de R$ 17 bilhões em contingências fiscais e trabalhistas.

O cenário levou a agência Fitch Ratings a rebaixar a classificação de crédito nacional de longo prazo da empresa de A(bra) para CCC(bra). Na avaliação da agência, a varejista enfrenta elevados riscos de refinanciamento e deterioração na posição de liquidez, com expectativa de fluxos de caixa livres negativos no médio prazo caso não ocorra redução significativa do endividamento.

Paralelamente à renegociação da dívida, a empresa pretende implementar ajustes operacionais para melhorar seus resultados. Entre as metas anunciadas está a redução de pelo menos R$ 415 milhões em despesas operacionais, especialmente nas áreas de suporte às lojas e na estrutura administrativa. O GPA também planeja reduzir os investimentos em capital (capex) em 2026 para uma faixa entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões, abaixo dos R$ 612 milhões aplicados no ano anterior.

Para Santoro, as mudanças devem permitir que melhorias operacionais apareçam gradualmente nos resultados da companhia. “Operacionalmente, existem oportunidades para serem capturadas, mas não é que exista um problema no dia a dia do nosso negócio.”

No mercado financeiro, o anúncio da recuperação extrajudicial repercutiu entre investidores. As ações do GPA encerraram o pregão com queda de 5,21%, cotadas a R$ 2,73. Em 12 meses, os papéis acumulam desvalorização de 31%, reduzindo o valor de mercado da companhia para cerca de R$ 1,3 bilhão.

Com informações do Brasil247

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