O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que deve deixar o cargo no governo federal na próxima semana, em meio às articulações políticas para as eleições de 2026. A saída ocorre dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral brasileira para autoridades que pretendem disputar cargos públicos.
Haddad confirmou que já iniciou conversas sobre seu futuro político e sobre a reorganização de sua equipe após a eventual saída da pasta. O movimento abre caminho para que o atual secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, seja o principal nome cotado para assumir o comando da área econômica.
Pela legislação eleitoral brasileira, ministros que pretendem disputar eleições precisam se desincompatibilizar de seus cargos até seis meses antes da votação. Neste ano, o prazo ocorre no início de abril.
Haddad indicou que sua decisão está alinhada a esse calendário e às discussões políticas em andamento dentro do governo.“Devo deixar o governo na semana que vem”, declarou o ministro.
Ao comentar o cenário político, Haddad afirmou que ainda não há definição sobre qual cargo poderá disputar, mas confirmou que as discussões estão em curso.
“Estamos conversando, estudando a que concorrer. Ainda vamos discutir. Não é só a candidatura, temos que ver o grupo de pessoas que vão compor a chapa, estamos vendo tudo isso com os cuidados devidos”, disse.
Ele acrescentou que já vem tratando do tema com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros integrantes do governo.
“Já anunciei há bastante tempo a minha intenção de deixar o governo. Tenho conversado com o presidente [Lula] sobre São Paulo, vou ter uma conversa também com o vice-presidente Alckmin, com a Simone [Tebet], temos que ver como esse grupo pode ajudar, tanto a qualificar o debate em São Paulo, quanto jogar luz sobre as diferenças sobre o governo atual e o governo passado no plano federal, o objetivo é esse”, afirmou.
Disputa política em São Paulo
Nos bastidores, a possível candidatura de Haddad ao governo paulista é vista como estratégica pelo governo federal. O estado representa o maior colégio eleitoral do país e ocupa posição central nas disputas políticas nacionais.
De acordo com análise mencionada pelo G1, o presidente Lula teria defendido a participação de Haddad na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, atualmente ocupado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Cenário eleitoral nas pesquisas
Levantamento do instituto Datafolha indica vantagem do atual governador nas intenções de voto. Em simulação de primeiro turno contra Haddad, Tarcísio aparece com 44% das preferências.
A pesquisa ouviu 1.608 eleitores com 16 anos ou mais em 71 municípios, entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Mesmo em cenários com diferentes adversários, o atual chefe do Executivo estadual mantém liderança nas simulações apresentadas pelo instituto.
A eventual candidatura de Haddad deve intensificar o debate político no estado nos próximos meses, ao mesmo tempo em que redefine o comando da área econômica do governo federal.
Com informações do Brasil247
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