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Irã avisa: nenhuma gota de petróleo passará por Ormuz enquanto os ataques continuarem

Guarda Revolucionária afirma que exportações de petróleo do Oriente Médio serão bloqueadas se ofensiva de EUA e Israel prosseguir

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O Irã elevou o tom da confrontação com os Estados Unidos e Israel ao afirmar que não permitirá a passagem de petróleo pelo Estreito de Ormuz enquanto continuarem os ataques militares contra seu território. A informação foi divulgada pela agência Reuters, que relata uma nova escalada na guerra iniciada no fim de fevereiro e que já provocou forte instabilidade no mercado global de energia.

A ameaça foi feita pela Guarda Revolucionária Islâmica, que declarou que não permitirá que “nem um litro de petróleo” seja exportado do Oriente Médio se os bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel continuarem. A declaração aumenta a tensão em torno do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo.

A reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi imediata. Ele afirmou que Washington responderá com ataques ainda mais duros caso Teerã tente bloquear o fluxo de navios-tanque na região.

Em entrevista coletiva na segunda-feira, Trump declarou: “Nós os atingiremos com tanta força que não será possível para eles ou para qualquer outro que os esteja ajudando jamais se recuperar naquela parte do mundo”. Mais tarde, em uma publicação na rede Truth Social, voltou a ameaçar o país persa: “Se o Irã fizer qualquer coisa que interrompa o fluxo de petróleo no Estreito de Hormuz, será atingido pelos Estados Unidos da América VINTE VEZES MAIS DURO do que foi atingido até agora”.

Irã desafia Washington e afirma que decidirá o fim da guerra

A Guarda Revolucionária respondeu às declarações do presidente norte-americano com forte tom de desafio. Segundo a mídia estatal iraniana, um porta-voz afirmou: “Somos nós que determinaremos o fim da guerra”, classificando os comentários de Trump como “absurdos”.

O endurecimento da retórica ocorre enquanto a guerra entra em uma fase ainda mais sensível. Israel afirma que o objetivo da ofensiva é derrubar o sistema de governo clerical iraniano. Já autoridades norte-americanas costumam afirmar que o foco principal é destruir a capacidade de mísseis do país e seu programa nuclear. Trump, entretanto, já declarou que o conflito só terminará quando houver um governo iraniano disposto a se submeter às exigências de Washington.

O custo humano da ofensiva já é elevado. De acordo com o embaixador iraniano na ONU, ao menos 1.332 civis iranianos morreram e milhares ficaram feridos desde que Estados Unidos e Israel iniciaram uma série de ataques aéreos e com mísseis contra o país no fim de fevereiro.

Estreito de Ormuz praticamente paralisado

A guerra já produziu efeitos diretos sobre o fluxo global de petróleo. Segundo a Reuters, o conflito praticamente paralisou o tráfego no Estreito de Ormuz, com petroleiros impossibilitados de navegar há mais de uma semana. Diante disso, produtores foram obrigados a reduzir ou interromper o bombeamento de petróleo à medida que os depósitos de armazenamento se aproximam do limite.

O temor de uma interrupção prolongada da principal rota energética do planeta provocou forte volatilidade nos mercados. Na segunda-feira, o petróleo Brent chegou a subir até 29%, atingindo o maior nível desde 2022. No dia seguinte, entretanto, os preços recuaram mais de 10%, acompanhando a recuperação das bolsas globais após Trump afirmar que acredita em um desfecho relativamente rápido para o conflito.

A instabilidade energética tornou-se um problema político sensível nos Estados Unidos. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira mostrou que 67% dos norte-americanos acreditam que o preço da gasolina vai subir nos próximos meses, enquanto apenas 29% aprovam a guerra.

Em Los Angeles, um motorista ouvido pela agência descreveu o impacto do aumento do combustível no cotidiano da população: “Eles são horríveis. São caros demais, estão altos, simplesmente altos demais, sabe? Às vezes você tem de escolher entre gasolina e outras coisas de que realmente precisa”.

Diplomacia travada após ataques

A possibilidade de negociações também parece cada vez mais distante. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que Teerã dificilmente retomará conversas com Washington.

Em entrevista à PBS, ele declarou: “Após três rodadas de negociação, a própria equipe americana disse na negociação que fizemos um grande progresso. Mesmo assim, decidiram nos atacar. Então, eu não acho que conversar com os americanos novamente esteja em nossa agenda daqui para frente”.

A tensão política se agravou ainda mais com a nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã, decisão interpretada como um sinal de desafio em meio à guerra.

Refinaria atingida e riscos ambientais

Enquanto o confronto se intensifica, ataques recentes também atingiram a infraestrutura energética iraniana. Uma refinaria foi bombardeada, provocando uma enorme coluna de fumaça preta sobre Teerã. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus, alertou que o incêndio pode contaminar alimentos, água e o ar, ampliando os riscos para a população civil.

A guerra também se expandiu regionalmente. A Turquia afirmou que defesas aéreas da OTAN derrubaram um míssil balístico disparado do Irã que entrou em seu espaço aéreo, no segundo incidente desse tipo desde o início do conflito.

Israel informou ainda que realizou novos ataques no centro do Irã e também em Beirute, capital do Líbano, após disparos do Hezbollah, grupo aliado de Teerã.

Com ameaças de bloqueio do petróleo, ataques à infraestrutura energética e risco de expansão regional do conflito, o confronto entre Irã, Estados Unidos e Israel já se tornou uma das crises geopolíticas mais perigosas dos últimos anos, com potencial de impactar diretamente a economia global e a segurança energética do planeta.

Com informações do Brasil247

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