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Protestos no Irã deixam ao menos 544 mortos, dizem ativistas

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Manifestações que já duram mais de duas semanas se intensificam, com milhares de prisões, corte de internet e crescente tensão internacional

As manifestações contra o governo no Irã já deixaram pelo menos 544 mortos nas últimas semanas, segundo o relatório mais recente divulgado pela agência de direitos humanos HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos Estados Unidos. A onda de protestos, que começou no final de dezembro de 2025, já é considerada o maior movimento antigovernamental em anos no país.

O levantamento da HRANA indica que, além dos mortos, mais de 10.680 pessoas foram detidas pelas forças de segurança iranianas em todo o país. A agência ressalta que os dados não puderam ser verificados de forma independente devido ao bloqueio de internet e comunicações, implementado pelas autoridades por mais de 72 horas, o que isola ainda mais o país do mundo exterior.

Entre os mortos estão civis de diferentes idades, incluindo crianças, conforme o balanço divulgado, o que intensifica a preocupação de grupos de direitos humanos internacionais.

Organizações de direitos humanos afirmam que a maioria das vítimas são manifestantes, embora as autoridades iranianas classifiquem os protestos como atos orquestrados por “elementos estrangeiros” e “vândalos”, sem publicar um balanço oficial completo.

Origem dos conflitos

Os protestos eclodiram inicialmente entre comerciantes nos bazares de Teerã, em resposta ao alto custo de vida, inflação galopante e à desvalorização acentuada da moeda iraniana. O descontentamento econômico rapidamente se transformou em uma expressão mais ampla de insatisfação contra o regime teocrático do país.

As demandas dos manifestantes evoluíram de queixas econômicas para gritos por mudanças políticas mais profundas, incluindo críticas abertas à liderança do país, cujo poder supremo está nas mãos do aiatolá Ali Khamenei. As multidões têm ecoado palavras de ordem como “Morte a Khamenei” e entoado slogans contra a elite política, algo raro em protestos anteriores.

Em resposta aos protestos, as autoridades iranianas liquidaram o acesso à internet e às linhas telefônicas por dias, uma estratégia que dificulta a coleta de informações e reduz o monitoramento externo das operações de segurança.

A crise no Irã não se limita às fronteiras do país. A situação tem chamado atenção global. Autoridades americanas afirmaram que o presidente dos EUA, Donald Trump, foi informado sobre opções de ação e tem considerado respostas diversas, incluindo medidas cibernéticas e até militares, embora não haja um plano público confirmado.

Por sua vez, o governo iraniano tem denunciado interferência externa e ameaçado retaliar caso forças estrangeiras intervenham no país, inclusive alertando que instalações militares dos EUA e de Israel poderiam ser consideradas alvos legítimos em uma escalada de conflitos.

Enquanto a crise se aprofunda, a população enfrenta um dilema dramático: continuar nas ruas sob risco de violência letal ou recuar diante de uma repressão cada vez mais dura. As lideranças do movimento ainda não se consolidaram em um único grupo organizador, o que torna as perspectivas de negociação incertas.

Originalmente publicado em Correio Braziliense

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