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China recorre à OMC após nova escalada tarifária imposta pelos Estados Unidos

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Medida do governo do presidente Donald Trump é classificada por Pequim como “intimidação unilateral” e violação grave das regras multilaterais de comércio

247 – A China anunciou, nesta sexta-feira (11), que apresentou uma queixa formal à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os Estados Unidos, em resposta à mais recente rodada de aumentos tarifários impostos por Washington sobre produtos chineses. A informação foi divulgada pelo Global Times, veículo de comunicação estatal chinês.

De acordo com o Ministério do Comércio da China (MOFCOM), a medida norte-americana, estabelecida por ordem executiva do presidente Donald Trump na quinta-feira (10), representa um novo agravamento da chamada política de “tarifas recíprocas”. Essa política tem sido aplicada de forma seletiva sobre uma ampla gama de produtos chineses, o que levou Pequim a acionar os mecanismos de solução de controvérsias da OMC.

“A política tarifária dos Estados Unidos constitui uma típica prática de intimidação unilateral e coerção econômica, que viola gravemente as normas da OMC e mina o sistema multilateral de comércio baseado em regras”, afirmou um porta-voz do MOFCOM.

Ainda segundo o representante do governo chinês, “a China defenderá firmemente seus direitos e interesses legítimos, bem como o sistema multilateral de comércio e a ordem econômica internacional”. Ele também instou Washington a “corrigir imediatamente suas práticas equivocadas e a retirar todas as medidas tarifárias unilaterais impostas à China”.

A nova ofensiva tarifária se soma a uma longa lista de tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo, que se acirraram desde o início do segundo mandato de Donald Trump em janeiro de 2025. O presidente norte-americano tem adotado uma retórica agressiva contra o que chama de “práticas comerciais desleais da China”, embora analistas internacionais alertem para os riscos de desestabilização do comércio global.

O processo iniciado na OMC deverá passar por uma fase de consultas entre os dois países. Caso não haja resolução, o litígio poderá avançar para um painel de arbitragem, o que pode levar meses ou até anos para um desfecho.

A escalada atual reacende debates sobre a eficácia e legitimidade das tarifas como ferramenta de pressão geopolítica. Também reforça o papel da OMC como fórum fundamental para a resolução pacífica de disputas comerciais — justamente num momento em que o sistema multilateral de regras enfrenta crescentes desafios por parte de potências econômicas que tentam impor agendas unilaterais.

Com a nova queixa, a China sinaliza que continuará apostando no multilateralismo para conter a ofensiva tarifária dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que fortalece seus laços comerciais com outros parceiros estratégicos, como a União Europeia, Rússia, países do BRICS e a América Latina.

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