Para ministro do STF, conversas entre procurador e ex-juiz podem resultar em anulação da condenação de Lula
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou Sergio Moro e Deltan Dallagnol pelo tom dos diálogos registrados em um aplicativo de conversas e ponderou sobre consequências para a Operação Lava Jato associadas ao conteúdo publicado pelo site The Intercept Brasil.
De acordo com Mendes, as mensagens divulgadas no domingo (9) mostram que “o chefe da Lava Jato não era ninguém mais, ninguém menos do que Moro. O Dallagnol, está provado, é um bobinho. É um bobinho. Quem operava a Lava Jato era o Moro”, disse Mendes, em entrevista a ÉPOCA.
O ministro identifica implicações diretas das revelações para o desenrolar da operação. “Eu acho, por exemplo, que, na condenação do Lula, eles anularam a condenação”, analisou Mendes, referindo-se aos trechos das conversas que sugerem uma colaboração entre Moro e Dallagnol.
A POLÊMICA DAS MENSAGENS VAZADAS DO MINISTRO SERGIO MORO
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No último domingo 9, o ministro da Justiça Sergio Moro foi uma das pessoas que teve conversas vazadas em reportagem publicada pelo “The Intercept Brasil” Foto: Jorge William 20-05-2019 / Agência O GloboNos registros, Moro aparece em trocas de mensagem com outros nomes associados à operação Lava-Jato, como o promotor Deltan Dallagnol, em conversas sobre os rumos de casos então em andamento Foto: Daniel Marenco / Agência O GloboA origem dos vazamentos não foi identificada, mas procuradores associados à Lava-Jato no Paraná, Rio de Janeiro e Brasília relataram tentativas de invasão de seus aparelhos celulares ao longo do último mês. O próprio telefone de Moro foi alvo de um dos ataques Foto: Daniel Marenco / Agência O GloboAs mensagens geraram grande repercussão, levantando questões sobre a idoneidade dos processos de casos como o que levou o ex-presidente Lula à prisão, no ano passado Foto: Daniel Marenco / Agência O GloboEm uma das mensagens divulgadas, de 2016, Moro aparece questionando o ritmo das prisões e apreensões da Lava-Jato ao perguntar: “Não é muito tempo sem operação?” Foto: Daniel Marenco / Agência O GloboMoro durante viagem ao Rio para se encontrar com Bolsonaro, ao receber o convite para ser ministro da Justiça Foto: Foto de leitor 01/11/2018Na foto, Moro anuncia que decidiu deixar a magistratura, após 22 anos de carreira, para assumir o cargo de ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro. Moro era um dos juizes responsáveis pelo julgamento dos casos envolvidos com a Operação Lava Jato Foto: Geraldo Bubniak / Agência O GloboAté o momento, a ação mais notável de Moro no comando da pasta é a proposta do chamado ‘pacote anticrime’, uma série de medidas para combater a criminalidade no Brasil Foto: Jorge William / Agência O GloboEm nota, Moro negou qualquer irregularidade nas conversas. “Quanto ao conteúdo das mensagens que me citam, não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela operação Lava-Jato” Foto: Jorge William / Agência O GloboO presidente Jair Bolsonaro ao lado do ministro da Justiça, Sergio Moro, no Estádio Mané Garrincha, Brasília-DF. O vazamento de diálogos entre o então juiz federal Sergio Moro, atual ministro da Justiça, e o procurador Deltan Dallagnol está provocando mudança no alto escalão do governo Foto: Jorge William / Agência O GloboBolsonaro e Moro assistiram à partida entre Flamengo e CSA no Estádio Mané Garrincha pelo Campeonato Brasileiro, na quarta-feira (12) Foto: Jorge William / Agência O GloboNa foto, o presidente Jair Bolsonaro ao lado do ministro da Justiça, Sergio Moro, durante o jogo CSA x Flamengo, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília Foto: Jorge William / Agência O GloboBolsonaro ao lado do ministro da Justiça, Sergio Moro, durante o jogo CSA x Flamengo Estádio Mané Garrincha Brasília-DF Foto: Jorge William / Agência O GloboBolsonaro ao lado do ministro da Justiça, Sergio Moro, durante o jogo CSA x Flamengo Estádio Mané Garrincha Brasília-DF Foto: Jorge William / Agência O GloboBolsonaro ao lado do ministro da Justiça, Sergio Moro, durante o jogo CSA x Flamengo Estádio Mané Garrincha Brasília-DF Foto: Jorge William / Agência O Globo
Mendes viu até a prática de um crime nas conversas vazadas. “Um diz que, para levar uma pessoa para depor, eles iriam simular uma denúncia anônima. Aí o Moro diz: ‘Formaliza isso’. Isso é crime”, avaliou Mendes, referindo-se a um trecho das mensagens em que Dallagnol escreveu que faria uma intimação oficial com base em notícia apócrifa, diante da negativa de uma fonte do MPF de falar. E Moro respondeu que seria “melhor formalizar”.
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