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Bebianno só acredita “quando sair o papel com a exoneração” e teria dito a interlocutor que com sua demissão “o Brasil vai tremer”

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“Eu quero ver o papel com a exoneração, a hora em que sair o papel com a exoneração é porque eu fui exonerado”, afirmou aos jornalistas neste sábado Gustavo Bebianno, o ministro da Secretaria Geral da Presidência.

O cala boca de Bebianno, agora acusado de ter vazado conversas sigilosas entre ele e Jair Bolsonaro a veículos da mídia, teria sido uma diretoria da Itaipu Binacional, mas ele recusou.

“Não foi esse meu emprego, meu projeto era eleger a pessoa que me inspirava confiança e eu achava que ia mudar os rumos do Brasil para melhor”, afirmou.

Notem os tempos verbais: inspirava e ia.

Nas intensas manobras de bastidores, a mídia é usada para vazar “fatos consumados”.

O SBT, sem citar fontes, disse que a demissão de Bebianno será formalizada na segunda-feira.

Bebbiano publicou um texto sobre lealdade em sua conta do Instagram depois de seu encontro com Bolsonaro no Planalto (íntegra no pé do post).

“Um comandante não pode alvejar um soldado pelas costas”, teria dito Bebbiano na reunião, segundo a descrição de dois repórteres da revista Veja.

Tanto Bebbiano quanto o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, são suspeitos de criar candidaturas laranjas do PSL em seus estados de origem, Pernambuco e Minas Gerais.

Ambos teriam sido beneficiários indiretos do dinheiro do fundo partidário “aplicado” nos candidatos fantasmas — na soma, R$ 989 mil para obter 5.760 votos.

Porém, o caso de Marcelo vem sendo desconhecido dentro do governo.

Por outro lado, o presidente da República disse, em entrevista à Record TV, ter pedido à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar as acusações a Bebianno.

“Não sei, não sou eu que dispenso tratamento. Eu estou recebendo tratamento com perplexidade. Quem dispensa o tratamento é que tem que explicar os seus motivos”, disse ele a respeito da diferença com que vem sendo tratado em relação ao ministro do Turismo.

Não se sabe, ainda, o conteúdo completo dos áudios que Bebianno teria repassado à Veja e ao blog Antagonista.

A acusação de “mentiroso” foi feita depois que o ministro disse a O Globo que conversara normalmente com Jair Bolsonaro, mesmo depois de denunciado na Folha como responsável pelo laranjal pernambucano.

O filho de Bolsonaro, Carlos, retrucou nas redes sociais, afirmando que estava ao lado da cama do pai e Bebianno mentira.

No bate boca virtual, Jair Bolsonaro alinhou-se ao filho.

Depois de saber que sua demissão já teria sido assinada, Bebianno afirmou a um interlocutor que “se isso acontecer na segunda, o Brasil vai tremer”, segundo os repórteres de Veja.

Bolsonaro estaria “alienado, perturbado da cabeça”, por causa da nova cirurgia e da longa internação, nas palavras atribuídas ao ministro.

Durante os últimos dois anos, Bebianno dedicou-se completamente à campanha de Bolsonaro.

Pode ter um whatsapp carregado de áudios e vídeos, além de informações, que poderiam abalar o clã dos Bolsonaro.

Políticos que tentaram manter Bebianno no poder, dentre os quais o ministro Onyx e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, acreditam que a crise no PSL pode ter impacto na aprovação da reforma da Previdência.

“A impressão que dá é que o presidente está usando o filho para pedir para o Bebianno sair. E ele é presidente da República, não é? Não é mais um deputado, ele não é presidente da associação dos militares”, ironizou Maia.

Em Fortaleza, o candidato do PT ao Planalto, Fernando Haddad, alfinetou: “A crise da semana, porque toda semana tem uma crise, envolvendo o ministro da Secretaria-Geral também preocupou a todos, a imprensa, os meios militares, um governo que está sendo tutelado de certa maneira, dada a incapacidade de articulação, a tutela tem sido a marca dos 45 dias. É sempre uma tutela, porque se deixar… A pergunta é qual é o adulto na sala, quando tem uma reunião do governo a pergunta é quem é o adulto na sala”.

Se Bebianno de fato for demitido e decidir retaliar, pode agravar o quadro que envolve a própria família Bolsonaro.

O presidente, a esposa e o filho Flávio, eleito senador, são suspeitos de tirar vantagens de “laranjas” através do ex-assessor Fabrício Queiroz, também suspeito de envolvimento com a milícia do Rio das Pedras, no Rio de Janeiro.

Quando deputado estadual, Flávio empregou a mãe e a esposa de um miliciano que segue foragido, além de homenagear o PM duas vezes na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

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