Ao apresentar o balanço do primeiro trimestre, que registrou lucro líquido de R$ 3,5 bilhões, presidente do banco público prometeu para o dia 25 a liberação de até R$ 1 mil do FGTS para abater dívida do trabalhor enquadrado no regime CLT
O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, informou, ontem, que o banco público já renegociou R$ 820 milhões em dívidas por meio do programa Novo Desenrola Brasil. A iniciativa oferece descontos de até 90% sobre os débitos e condições facilitadas de pagamento para clientes inadimplentes.
Segundo o banco, uma nova etapa do programa começará em 25 de maio, quando será liberado o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abatimento de dívidas renegociadas.
O uso do FGTS será limitado a até 20% do saldo disponível na conta do trabalhador ou ao teto de R$ 1 mil. De acordo com o presidente da Caixa, a data foi definida para coincidir com a atualização monetária do fundo e permitir a adaptação dos sistemas operacionais. “A gente tem que fazer a adaptação de sistemas para poder usar uma coisa que é definida a partir de uma decisão muitas vezes de natureza governamental”, explicou Vieira, em entrevista coletiva para detalhar os números. Ele advertiu que é preciso executar o cronograma “com a assertividade devida.”
Lucro
Os números constam do balanço financeiro do primeiro trimestre de 2026, divulgado ontem. No período, a Caixa registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões, o que representa queda de 34,4% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. A instituição atribuiu parte da redução ao aumento das provisões para devedores duvidosos, que cresceram 211,5% e atingiram R$ 6,5 bilhões após mudanças nas regras de cobertura de risco estabelecidas pelo Banco Central.
A carteira total de crédito da Caixa chegou a R$ 1,4 trilhão no trimestre. O crédito imobiliário permaneceu como principal segmento da instituição, com saldo de R$ 966,2 bilhões e crescimento de 13,9% em 12 meses. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o crescimento do crédito habitacional foi de 30%, o que Vieira comemorou.
“Não é trivial ter crescido 30%”, disse ele. “Isso denota que a Caixa está alinhada com o que tem que fazer no crédito imobiliário, está alinhada com a importância que tem o crédito imobiliário para qualquer economia e, no caso da economia brasileira, principalmente o crédito imobiliário é o crédito da cauda longa, onde você pega toda uma cadeia produtiva do país, que gera emprego”, completou.
Esse salto foi viabilizado por uma negociação junto ao Banco Central que liberou o uso de depósitos compulsórios, permitindo à Caixa aportar R$ 40 bilhões adicionais ao Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Além disso, o banco aposta na expansão do Minha Casa, Minha Vida para a classe média e na implementação do novo programa “Reforma Casa Brasil”, que já contará com reconhecimento facial para contratações 100% digitais.
Inadimplência
A inadimplência total do banco encerrou março em 3,71%, enquanto a carteira rural segue como principal ponto de atenção da instituição ao longo de 2026.
Carlos Vieira informou também que o banco registrou prejuízos de aproximadamente R$ 20 milhões no aplicativo Caixa Tem em 2025, decorrentes de fraudes e ataques cibernéticos. Diante disso, a instituição tem intensificado seus aportes em tecnologia, com a previsão de investir R$ 5,9 bilhões ao longo de 2026.
De acordo com Vieira, houve um avanço de 22,5% nas implementações tecnológicas.”Nós estamos, agora, com praticamente zero de ataques no Caixa Tem”, disse Vieira. Esse avanço na segurança e na infraestrutura faz parte de um plano de modernização da instituição, que prevê um investimento de R$ 5,6 bilhões em tecnologia para o ano de 2026. Segundo o presidente, a modernização do processo de entrada de novos clientes vem apresentando uma taxa de falha baixa, na qual apenas quatro a cada mil pessoas não conseguem concluir o procedimento. A automação de processos do banco também já resultou em uma economia de 45,8 mil horas de trabalho.
Os resultados da digitalização refletem diretamente na atração do público jovem. A Caixa alcançou a marca de 3,4 milhões de contas digitais abertas, sendo 1,6 milhão apenas no primeiro trimestre de 2026. Deste montante trimestral, 49% das contas foram abertas pela Geração Z. Vieira revelou que uma das estratégias de marketing para atrair essa juventude foi a aproximação com o basquete, patrocinando as ligas feminina e masculina para mostrar que a instituição, apesar de centenária, é moderna e adequada a esse público.
Desenrola Fies
Além das medidas voltadas ao Novo Desenrola Brasil, a Caixa Econômica Federal intensificou sua atuação no Desenrola Fies junto com o Banco do Brasil, que iniciou o período de adesão em 13 de maio. Apenas no primeiro dia de funcionamento, o programa movimentou R$ 1,34 bilhão em dívidas negociadas, resultado de 22 mil acordos firmados e 87 mil simulações realizadas por estudantes em todo o país.
Segundo os dados divulgados pela instituição, o volume financeiro efetivamente renegociado, já considerando os abatimentos concedidos, alcançou cerca de R$ 270 milhões. A iniciativa tem como principal objetivo reduzir a inadimplência e facilitar a regularização financeira de mais de 1 milhão de brasileiros com contratos vinculados ao financiamento estudantil.
O programa atende estudantes que contrataram o Fies até 2017 e que já estavam em fase de amortização em 4 de maio de 2026. Segundo o Ministério da Educação, o estoque de dívidas passíveis de renegociação no país soma aproximadamente R$ 83,1 bilhões.
As condições oferecidas incluem descontos considerados agressivos, que podem chegar a 99% do valor devido, dependendo da situação financeira do estudante e do tempo de inadimplência. Para contratos com atraso superior a 360 dias, estudantes com cadastro atualizado no CadÚnico podem obter abatimento de 92% sobre o valor consolidado da dívida. Já para aqueles que não fazem parte de programas sociais, o desconto máximo previsto é de 77%.
Nos casos de atrasos acima de 90 dias, o programa permite parcelamento em até 150 meses com eliminação total de juros e multas. Outra alternativa é o pagamento à vista, com isenção integral de encargos e desconto de até 12% sobre o saldo principal. Até mesmo estudantes adimplentes ou com atraso inferior a 90 dias foram contemplados, podendo quitar integralmente o débito também com desconto de 12%.
Todo o processo de renegociação pode ser realizado digitalmente pelos aplicativos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. O prazo de adesão ficará aberto até 31 de dezembro de 2026.
*Estagiário sob supervisão de Edla Lula
Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.



