Grupo fraudou sistema do Detran

Criminosos são acusados de invadir plataforma de gerenciamento do órgão para excluir multas, transferir frotas empresariais e até realizar empréstimos bancários

Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desmantelou uma organização criminosa especializada em invasões não autorizadas ao sistema GETRAN, plataforma de gerenciamento de registros veiculares do Departamento de Trânsito (Detran-DF).

A ação foi coordenada pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC). Segundo as investigações, o grupo é suspeito de realizar fraudes em larga escala, incluindo a exclusão de multas e transferências ilegais de frotas empresariais, gerando um prejuízo estimado em dezenas de milhões de reais.

Há cerca de quatro meses, os policiais se debruçaram sobre as denúncias de transferências de veículos feitas sem o consentimento dos proprietários. Eles descobriram que o bando utilizava um aplicativo de contorno, chamado internamente de “sistema de bypass”, para acessar o domínio oficial da autarquia.

De acordo com o delegado João Guilherme, chefe da DRCC, a ferramenta foi desenvolvida pelo líder do grupo, um especialista em engenharia de sistemas, e permitia simular interfaces do Detran para automatizar operações ilícitas em uma velocidade centenas de vezes superior à ação humana.

“Com o acesso ilegítimo, os criminosos realizavam a baixa de infrações, emplacamentos fraudulentos, regularização indevida de condutores e até a obtenção de financiamentos bancários utilizando documentos adulterados”, explicou.

O Detran-DF colaborou com o inquérito, fornecendo registros que permitiram identificar os padrões de invasão e a origem das conexões. Segundo a PCDF, a organização era dividida entre o núcleo técnico, articuladores que captavam clientes para as fraudes e operadores financeiros que ocultavam os lucros por meio de lavagem de dinheiro.

No total, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão no Distrito Federal. A Justiça também autorizou o bloqueio de contas bancárias e a apreensão de veículos de luxo e dispositivos eletrônicos.

Os investigados devem responder por invasão de dispositivo informático, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Se condenados, as penas somadas podem ultrapassar os 30 anos de reclusão. O inquérito segue em curso para identificar outros possíveis envolvidos e mapear o montante total do dano ao erário.

Ao Correio, o Detran informa, por meio de nota, que atua em conjunto com a PCDF nas investigações, colaborando com as apurações e fornecendo informações técnicas e registros de acesso que contribuíram para a identificação de padrões de invasão.

O diretor-geral do Detran-DF, Marcu Bellini, destaca que a cooperação institucional com a PCDF é fundamental no enfrentamento aos crimes cibernéticos e reforça que a autarquia continuará prestando total apoio técnico e institucional às investigações em andamento.

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